Lugar da delicadeza com o outro e com a própria Liberdade.

Onde se está de acordo com o único modo do humano de ser feliz

Tuesday, July 25, 2006

Foto de Henri Cartier Bresson

Reflexo na água da chuva. Do outro lado da rua, dois homens carregando o espelho onde reflito minha sombra. São sobras de mim. Do meu túmulo, falo. Não sei mais sentir. Não é apenas o medo. Habituei à dor.

Quer que eu reflita: e se eu desaparecesse? Se a água da chuva derretesse minhas moléculas frágeis de açúcar. Piada! são sempre duas moléculas de Hidrogênio para uma de oxigênio. Conheço essas pausas...Já fui dada a passes de mágica. Ia compreender. E se era uma armadilha para tentar me entender, complicou ainda mais. Não quer dizer que não queira chegar a algum lugar. Ou a lugar nenhum...Como na canção dos Beatles. Significa apenas que entendo de passes de mágica e de mais a mais, é comigo que sei conviver. Com você descobriria - usei um passado sem querer - o que é difícil, porque requer aprender. Deve ser porque meu sol está na 12a casa que permite o Aprendizado...tão terna C.L. que brota da liberdade em experimentar os fenômenos da Natureza. E as duas feras estão duelando agora em mim. Diferente do sonho de Sabino, as minhas têm nome: solidão e liberdade. Essa coragem louca de continuar olhando para frente. Sempre. Isso que também pode ser chamado de força e de "uma alegria difícil, mas que chama - se Alegria", querida Clarice. Força que José Castello acredita estar no sol desse cantinho mais ao Nordeste do país. Ah...o sol.

Não preciso entender de nuances da dor. Conheço ela em toda sua ausência de cor e estorvo é pior que duelo de titãs. Acredito tanto no direito que tenho de ser feliz que não duvido de mim. Nem me peça qualquer coisa que esteja relacionada a sentimento de culpa. Essa palavra horrível que aboli aos 30 e nem consigo repetir. Isso que você esperava, bradar, espernear, xingar, tirar um fio de cabelo do lugar pelo seu sentimento de culpa, eu não sei fazer. Empenho um esforço danado em ser responsável e isso já é muito. Pelo menos é real. Aquele nome que citei porque você lembrou lá há umas cinco linhas só faz esvaziar a verdade do sentimento. O que se sente é o que é. Pronto e ponto. Parágrafo....

...Na outra linha. No outro lado da rua enxergo meu refúgio. Meu canto. Eu canto sabia. Toda vez que sinto o vento soprando notícia eu canto. E danço entre as paredes do meu quarto. Minha música é suave e repousa meus ouvidos cansados de discursos antigos. Nada é novo debaixo do sol desse país tão tropical onde chove. E se na música dos Beatles você e eu usamos capas de chuva e deitamos sozinhos ao sol, num solo triste, à noite, o guarda - chuva curioso e transparente se torna abrigo para a dúvida e a certeza de quem jogou. É difícil suportar uma verdade. Mas impossível mesmo é construir algum sentimento que seja plantando aquela palavra que não arrisco reescrever...nunca mais.