Wednesday, February 03, 2010
Monday, January 25, 2010
Wednesday, December 30, 2009

Tuesday, September 08, 2009
Saturday, September 05, 2009
Desenho nesse escuro, discorro há horas. Nenhuma palavra é completa para dizer do meu intenso prazer em revelar esse fluxo... Quero escrever até enquanto rezo. E prezo porque não publico. Revejo teus beijos à porta da minha casa. Eles voltam e fixam-se em halo. Não deixaria você ir não fosse “está na hora de dormir”. Passaria a noite naquele mesmo abraço contigo. Fez-me existir. Teu perfume meu elixir. Tua ternura de amigo meu encarecido abrigo.

Você, daí de tão longe, devolve em mim uma natureza viva e perdida. Como a terra devolvesse a si mesma o ar puro de antes, muito antes daqui... Vale de água limpa e campo verde em tarde cristalina. Porque há uma sinceridade real no silêncio. E há flores por vir. Uma floresta antiga de raízes profundas e tênues como uma teia. Você me devolve a mim mesma.
É improvável esperar qualquer tempo sem ouvir tua voz ou ver teus olhos. Contigo a noite não chega e é terno o dia. Não tenho medo. Habituo-me à luz que não se apaga. Nem para uma penumbra de quarto e de cores. Querer teu corpo ao lado do meu é perceber-me assim! Por mim apaixonada. Você faz isso comigo? É pergunta de amigo...
Penso em você como quem tece uma manta de fios perfeitos. E se escrevo é porque explodo de alegria quando dedicas horas do dia e da noite a me provocar efeitos. Reencontro a tua gola de camisa azul clarinho nas alturas, os dedos compridos tão conhecidos. Decorei tudo. Cada detalhe. Tua boca e lábios em minha direção. Meu amor por você me leva às alturas e vou. Deixo ir. Encontro de corpos celestes. Força de atração que construiu em mim a trajetória elíptica. E quanto mais distância alcança o meu olhar, enxergo o que fui. Anos luz de história descrita no espaço. Aproximo momento de explosão criadora do universo.
Thursday, August 06, 2009
Wednesday, July 29, 2009
Ficou para nunca mais o filme que faríamos no bar Garagem. Ficou para nunca mais a imagem fumegante do seu dono abrindo a geladeira diante de um balcão escuro por sobre uma parede cheia de detalhes. Sim, a iluminação permitia confundir teto e chão com as paredes... De lá se desprendia como num espaço etério a foto do Papa João Paulo II, lembranças de um lugar e outro. Recordações para acender a memória. Isso hoje é tudo.
Tudo que restou do cenário dos que buscavam mais um pouco, um outro passo louco, numa noite que não fosse o Garagem já teria tido fim... Sua grande ventura foi transformar o dia em noite eterna que se misturava a um amanhecer que começava por assim dizer, quando sequer havia terminado...
Realizava assim em nós, recifenses de uma boemia lisa, a aventura de continuar existindo na beira rio que inventamos no nosso projeto de cidade. Cumplicidade. Poeticidade. Insanidade branda. E eternidade de todos nós, se fôssemos jovens. Teciamos ali em conversas mal ouvidas sensações que nem raízes em imaginário fértil.
Em pleno bairro da Torre, depois de resistir a todas as águas que passaram por baixo da ponte, o Garagem foi trator abaixo por decisão e ordem do nosso poder público. Não há manifesto que conserte. Nem concerto que revele a música que se construiu ali. As imagens de um Recife indie, underground, retrô, punk, hardcore ou apenas azul, de um bom blues ficou para nunca mais. Soterrado por leis, licenças de funcionamento e decisões. Representativas?
Não acontecerão nunca mais. Não bastou fazerem pouco do desejo de consumidores pagantes removidos de outras calçadas, longe dali. E os shows que aconteceriam? Os encontros e desencontros? Ali, não acontecerão nunca mais.
Ficou para nunca mais. E eu que neguei o pedido de Alice no país das maravilhas, em mais uma noite que começou e que naturalmente não terminaria, ao pé da indestrutível Ponte da Torre. A única que resistiu às dinamites. Como a ponte, a boemia em nós vai resistir.
E outros lugares como o Garagem surgiram em todas as partes. Embora aquele filme de um colorido obscurecido que faríamos ali, ficou para nunca mais.