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Monday, March 08, 2010

Minhas Amigas,

Parabéns por todos os dias do ano e em especial por esse dia. Porque foi para isso que a gente inventou o calendário. Você vira a folhinha e "está lá". Oito de março de 2010. Inventamos também o celular e despertador. Começa tocando às cinco e cinquenta e cinco da manhã e você depois de uma insônia braba, que começou às três da manhã, olha aqueles números pequeninos e aposta!: "só mais cinco minutinhos...".

O passo seguinte é ferver a água do café e porque só vai despertar os sentidos depois que o cheiro do pó coado invadir as narinas. Até a hora boa de acordar os filhos. O café da manhã já à mesa. "Tapioca quentinha meus queridos. Vamos levantar?". Proposta com nenhum espaço para negociação. Outra estratégia que uso é o cheiro do pão de queijo mineiro. Infalível.

"Mais um dia de aula, mais um dia de aula". Responde ainda meio torpe a versão criativa de Nemo em seus nove anos completos. Escapa aquele sorriso cúmplice, um beijo nele e na filha de seus quatorze. Para ela ainda não cabe, por completa, a frase que dedico a vocês desde o início do texto. Embora saiba que este é um dos projetos em sua vida, dos maiores e mais desafiadores como bem sabemos, tal qual foi nas nossas vidas.

Ela já caminha sozinha até a escola. Um beijo mais demorado com o silêncio contendo a frase no pensamento. Nessa hora, penso comigo que se ela tivesse pouco mais de idade eu inventaria de brincar em checar que lembrou, não apenas do lanche, mas também do protetor solar ... Cai como uma luva para esses tempos quentes e de tanta radiação solar, se é que me explico. Aliás, taí outra invenção necessária. O protetor solar. Nem precisar perguntar ao Bial.

Para vocês a frase vai inteira e cheia de outros pensamentos e reflexões. Completa nas lembranças de cada momento da história compartilhada. Dos terríveis espartilhos, aos cintos de castidade até nossos moderníssimos amigos do peito. Só mesmo as magazines queimam em suas liquidações. Nós não. Dedicamos uma gaveta para muitas versões dessa invenção. Não queimamos mais os sutiãs. Não é preciso. Nossas metáforam são outras. Acendemos velinhas perfumadas em noites mais românticas ou sopramos a do bolo de aniversário com primeiro pedaço dedicado a quem bem entendemos.

Ainda neste fim de semana vi um namorado chateado porque uma de nós dedicou o primeiro pedação ao melhor amigo. Afinal, o recém-chegado não compartilhou dos momentos difíceis, ora essa. É assim nos tempos modernos. Chaplin bem que avisou. Ajeite rejeita o automatismo porque sabe o valor da amizade. E como a vida ficaria tão impossível sem ela. Na nossa versão são muitas folhinhas viradas em calendários. Oito, quinze, vinte, trinta anos! Mudamos tantos hábitos. Dedicando lixo perecível para a compostagem e o reciclável para doação a escola. Essa rotina ainda mais frequente em nossas vidas que as conversas nos cafés ou no bar de sempre.

Esse dia-a-dia que nos ocupa tanto e muitas vezes diminui a frequência dos nossos encontros. Nossas conversas e análises bebidas em pequenos ou grandes goles desse vinho. Temos fotas digitais em nossas comunidades que mostram. Estivemos aqui e ali e continuamos. Vamos indo. Porque a mentira pregada tantas vezes de que mulheres não sabem ser amigas não grudou em nós. Passou direto por nossos ouvidos. Ficou retida no nosso detector como tantas outras tão convenientes, exceto para gente. Continuamos fazendo diferente - ao nosso modo - a diferença valer de um jeito mais construtivo e amoroso.

Sem as violências de antes, embora elas não tenham desaparecido do planeta. Mas que já são julgadas de outra forma. Sob outra ótica. Inclusive por nós mesmas. Afinal ainda somos e seremos sempre, eu suspeito, quem vai parir e amamentar ou alimentar nos branços contra o peito os recém chegados ao planeta. Não apenas com o leite e o aconchego da nossa voz terna, do nosso cheiro. Mas principalmente com as nossas idéias que definitivamente mudaram. E transformam cada vez mais este mundo.

2 comments:

Elysangela said...

Obrigada, amiga!

Pelas palavras doces.
Um grande beijo,

Ely

Diana said...

Bonito e completamente descritivo do que é ser mulher!
Concordo plenamente quando dizes que continuamos a ser discriminadas. Claro! E não creio que mude tudo tão depressa.
No entanto, tenho a sorte de ter nascido num país civilizado que promove a igualdade (Portugal), mesmo que ainda hajam muitas injustiças.
Só nos resta continuarmos a fazer a diferença!

http://omeucadernoverde.blogspot.com/