Lugar da delicadeza com o outro e com a própria Liberdade.

Onde se está de acordo com o único modo do humano de ser feliz

Wednesday, March 14, 2007




Estou pousando meu olhar sobre missiva enviada por Epicuro ao discípulo Meneceu... É um olhar de contemplação na obra tão etéria. Solto folhas secas com a chegada do outono. Mudam as cores, preparo para novo momento em repouso no íntimo universo da terra. Meu subterrâneo quer ser próspero. Fecundo. Repouso sim, para o olhar e o espaço como colo.
Nasci há tão pouco tempo e não sei ainda da eternidade. Epicuro nasceu em Atenas (341 a.C. - 270 a.C.) e logo partiu para Samos com a família. Não parti ainda. Continuo feito árvore firme, no mesmo solo. Ele criou um "Jardim...", fundou uma "escola"(os outros chamam Epicurismo), escreveu cartas... Uma, sobre a felicidade, endereçou a Meneceu. Continuou até os setenta anos vividos ensinando a muitos outros filósofos. Entretia - o o prazer. O entendimento do ser feliz como "saúde da alma". Construída com a delicada maneira de viver as alegrias e prazeres tendo a prudência como seu guia...

"De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual para ele é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça sem felicidade. Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas".

A doutrina de Epicuro entende de fato que o bem supremo está no prazer e não se confunda por isso hedonismo. Defende o prazer do sábio, que compreende como a quietude da mente e o domínio sobre as emoções... que se traduz no domínio de si mesmo.

Enxerga a própria Natureza como um bem e condutor a uma vida símples. O único prazer deve ser o do corpo, compreendido como prazer do espírito. E nisso está todo o segredo para a mais completa e intensa "saúde" do humano.

Não esqueceu de defender a filosofia e sua função principal: libertar o homem:

"Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la..."

Diz mais sobre os Deuses e ensina para que não se confunda o papel que de fato desempenham no universo.

"Pratica e medita aquilo que te ensinei continuamente, convicto de que se trata do abecê para uma vida feliz. Em primeiro lugar, considera que a divindade é um vivente incorruptível e feliz, como a noção comum do divino costuma aceitar, e não lhe atribuas qualquer coisa estranha à imortalidade ou de pouca consonância com a felicidade. Em relação à divindade, pensa tudo o que serve para preservar sua felicidade unida com a imortalidade. Os deuses existem de fato e o conhecimento que deles se tem é evidente. Eles, porém, não são como a maioria os crê, pois não continuam coerentemente a considerá-los como os concebem. Ímpio não é quem nega os deuses como a maioria os quer, e sim aquele que atribui aos deuses as opiniões que deles tem a maioria".

É hábito perder - se de vista em vida de Deuses, mas é simples manter - se natural...

"Com efeito, as opiniões da maioria sobre os deuses não são prolepses, mas enganosas hipolepses (Conceito inadequado, fundado sobre a opinião corrente). Daqui se segue que dos deuses se fazem derivar para os homens as razões de todo maior dano e de todo bem; os deuses, com efeito, entregues continuamente às suas virtudes, são queridos por todos os seus semelhantes, mas rejeitam como estranho tudo o que não é semelhante a eles".

2 comments:

Anonymous said...

Milady,
Não é difícil continuar teu fã dedicado. Ao contrário, como é fácil entender a identidade que adquires com as teses eternas e etéreas propostas por Epicuro! Não é a toa te apelidas Felicidade. Tu e teu blog, tão cheio de cor. Felicidade que não guardas para ti. Ensinas. Como Epicuro o fazia e faz até hoje.
Profunda admiração. Elogios mais que sinceros.
Beijos felizes

Geórgia Alves said...

Milorde... aprendo. Me inspiras mais...(risos). É um pedido: