Lugar da delicadeza com o outro e com a própria Liberdade.

Onde se está de acordo com o único modo do humano de ser feliz

Monday, April 11, 2011

Linha reta

Gostaria de partilhar - em todos os idiomas :) - a notícia de que no próximo dia 28 de maio este tímido espaço - negro como a noite - de acordo com todas as formas de felicidade, completará cinco anos de atividade poética, ensaísta, lírica, onírica rss e outros tantos estilos praticados. Com a honra de ter sido visto, visitado, comentado, apreciado, criticado, invadido, partilhado por cerca de cinco mil diferentes olhares. Totalizando 49 seguidores e mais de vinte mil acessos. Não apenas no Brasil - este país continental - como também nos Estados Unidos, Portugal, Holanda, Rússia, Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Eslovênia, Eslováquia e França.

I would like to share - in all languages​​:) - the news that on 28th of May this shy space - black as night - according to all forms of happiness, complete five years of poetic activity, essayist, lyrical, rss dream and so many styles practiced. With the honor of having been seen, read, commented, enjoyed, criticized, invaded, shared by about five thousand different looks. A total of 49 followers and over twenty thousand hits. Not only in Brazil - this continental country - as well as the United States, Portugal, Holland, Russia, Germany, Japan, South Korea, Slovenia, Slovakia and France.

Ik zou willen delen - in alle talen:) - het nieuws dat op 28 mei van dit verlegen ruimte - zwart als de nacht - volgens alle vormen van geluk, compleet vijf jaar van poëtische activiteit, essayist, lyrisch, RSS droom en zo veel stijlen beoefend. Met de eer van het hebben gezien, lezen, commentaar, genoten, bekritiseerd, binnengevallen, wordt gedeeld door ongeveer vijfduizend verschillende looks. Een totaal van 49 volgelingen en meer dan twintigduizend hits. Niet alleen in Brazilië - deze continentale land - evenals de Verenigde Staten, Portugal, Nederland, Rusland, Duitsland, Japan, Zuid-Korea, Slovenië, Slowakije en Frankrijk.

Ik zou willen delen - in alle talen:) - het nieuws dat op 28 mei van dit verlegen ruimte - zwart als de nacht - volgens alle vormen van geluk, compleet vijf jaar van poëtische activiteit, essayist, lyrisch, RSS droom en zo veel stijlen beoefend. Met de eer van het hebben gezien, lezen, commentaar, genoten, bekritiseerd, binnengevallen, wordt gedeeld door ongeveer vijfduizend verschillende looks. Een totaal van 49 volgelingen en meer dan twintigduizend hits. Niet alleen in Brazilië - deze continentale land - evenals de Verenigde Staten, Portugal, Nederland, Rusland, Duitsland, Japan, Zuid-Korea, Slovenië, Slowakije en Frankrijk.

Ich würde gerne teilen - in allen Sprachen:) - die Nachricht, dass am 28. Mai dieses schüchtern Raum - schwarz wie die Nacht - nach allen Formen des Glücks, komplett von fünf Jahren dichterischer Tätigkeit, Essayist, lyrisch, rss Traum und so viele Stile praktiziert. Mit der Ehre, gesehen worden, kommentierte genossen, kritisiert überfallen, von etwa fünftausend anders aussieht gemeinsam zu lesen. Insgesamt 49 Anhänger und über zwanzigtausend Hits. Nicht nur in Brasilien - das Land Continental - sowie die USA, Portugal, Holland, Russland, Deutschland, Japan, Südkorea, Slowenien, Slowakei und Frankreich

共有したい-すべての言語で-ニュースは5月28日、この恥ずかしがり屋空間上の-のように黒い-幸福すべての形態の詩的な活動、エッセイスト、叙情的な完全によればRSSフィード非常に多くのスタイル練習した。 侵入し、五千違って見えるで共有される批判楽しんでコメント読んで見られたことに敬意を表しています。 49信者合計二万以上のヒットだけでなく、ブラジル-この大陸の国-と同様、米国、ポルトガル、オランダロシア、ドイツ日本韓国スロベニア、スロバキア、フランス

내가 공유하고 싶다 - 모든 언어 :) - 그 소식을 28번째 부끄러워 공간 - 같이 검은 - 행복 모든 형태, 시적 활동, 수필가, 감성을 완벽하게 오년에 따르면, rss 많은 스타일 연습. ,, 침공, 오천 달라 보이는 공유 비판 즐겁게, 주석, 읽기, 되지 않고 명예롭게. 49 신도들의 이만 히트. 뿐만 아니라 브라질 - 대륙의 나라 -뿐만 아니라 미국, 포르투갈, 네덜란드, 러시아, 독일, 일본, 한국, 슬로베니아, 슬로바키아, 프랑스

Rad bi se delež - v vseh jezikih:) - novice, da se na 28. maj tega sramežljiv prostor - črna kot noč - glede na vse oblike sreče, popolna petih letih pesniška dejavnost, esejist, lirično, rss sanje in toliko stilov vadili. V čast bili videli, prebrali, komentiral, užival kritike,, napadel, skupno za približno pet tisoč različnih pogledov. skupno 49 privržencev in več kot dvajset tisoč zadetkov. Ne samo v Braziliji - to celinska država - kot tudi Združene države, Portugalska, Nizozemska, Rusija, Nemčija, Japonska, Južna Koreja, Slovenija, Slovaška in Francija.

Chcel by som sa podeliť - vo všetkých jazykoch:) - správa, že 28. mája tohto plachý priestoru - čierna ako noc - v závislosti na všetky formy šťastia, kompletné piatich rokoch poetické aktivity, esejista, lyrický, RSS sen, a tak veľa štýlov cvičil. So cťou, čo bol videl, čítal, povedal, si užil, kritizoval, napadol, zdieľa asi päť tisíc rôznych podôb. Celkom 49 stúpencov a cez dvadsať tisíc hitov. Nielen v Brazílii - kontinentálne tejto krajine - rovnako ako Spojené štáty, Portugalsko, Holandsko, Rusko, Nemecko, Japonsko, Južná Kórea, Slovinsko, Slovensko a Francúzsko.

Je voudrais vous faire part - dans toutes les langues:) - les nouvelles que le 28 mai cet espace timide - de nuit noire - en fonction de toutes les formes de bonheur, les cinq années d'activité poétique, essayiste, lyrique, rss rêve et autant de styles pratiqués. Avec l'honneur d'avoir été vu, lu, commenté, apprécié, critiqué, envahi, partagée par environ cinq mille regards différents. Un total de 49 adeptes et de plus de vingt mille visites. Non seulement au Brésil - ce pays continental - ainsi que les États-Unis, Portugal, Hollande, Russie, Allemagne, Japon, Corée du Sud, la Slovénie, la Slovaquie et la France.
Bom dia!!!
Good morning!!!
Buon giorno!!!
Dober dan!!!
Good day for you!!!
Goede dag!!!
Bonjour !!!
Добрый день!!!
(Dobryĭ denʹ!!!)

Daccordafelicidade...

Sunday, April 10, 2011

O que fazer com a liberdade?

“A realidade é uma ficção criada pela falta de utopia”.
 Madame de Duras
 
 
Recriar a realidade a partir de uma utopia. Sem a aura perdida desde o início do período da reprodutividade. Uma vez que o futuro previsto é inegavelmente feito agora, bit a bit. Na conexão entre fluências de todas as épocas no exato instante em que teclo. Por bytes e bytes. Não mais anos e anos.
 
 
Como a militância pode fazer crer que estejamos construindo o novo se o âmbito ainda é restrito? E o que é consumido como nova informação ou conceito formativo ainda é delimitado por pensamentos felozmente e superficialmente – além de artificialmente – construídos?

Conectar com a arte e a parte da informação relevante de um fato não é tarefa simples. É preciso bem formar o ser humano e desconectá-lo vez por outra da sua rotina. Causar nele um efeito de novas dinâmicas para promover novas formas de pensar e olhar um fato ou um conceito. Caso contrário estará tudo condicionado ao compromisso de cumprir a missão de forma artificial ou imparcial. Falo de arte e comunicação.

O que é possível criar de relações com o que se resolve de imediato sem promover novas relações? Transposição de informações envolvendo sentimentos ou não envolvendo. O medo, a solidão, a falta de percepção, o imediatismo, as desconexões e a fluidez do amor que como água fica cada vez mais escassa no mundo atual. Tudo isso precisa ser desmembrado e revisto em coesão.

Como no mito do Rei Carlos Magno e a paixão dele pela donzela alemã. No advento da morte da mulher divina, e seu anel atirado no lago, o soberado apaixona-se pelo lago. E põe-se a admirá-lo. Buscar as relações e reconstruí-las com seus significados e não com simplificações. Imediatismos. Isso tudo foi para falar do desejo de descobrir: 

O que fazer com a liberdade?

Friday, April 08, 2011

"Depende de nós que o presente cumpra sua promessa de futuro"
Kant

No estudo sobre a felicidade, esse conceito tão relevante, imprescindível e cheio de variações, uma das coisas mais construtivas que pude observar é que: Existem vários modos de felicidade. Cada um escolhe na vida meios de alcançá-la. E se você me permite uma opinião: Um dos maiores erros na história da humanidade - construída diariamente por nós mulheres e homens, jovens ou na idade madura - é acreditar que "dinheiro é a melhor maneira de alcançar a felicidade". Temos que urgentemente entender outro modo. A despeito de estarmos desperdiçando o melhor da vida.

É evidente que dinheiro gera poder, conforto e uma espécie de respeito forçado às vontades dos ricos... O pior nisso tudo é que quem não tem situação financeira confortável ou favorável acaba, sem perceber, permitindo que o jogo continue sendo esse. Quando a gente ouve dizer que educação faz muito mais a diferença que uma boa conta bancária e bens acumulados não é conversa de idealista não. Quantos desses superricos não serão lembrados por nada mais que sua arrogância, prepotência e jeito rudimentar?

Claro que existem muitos aquinhoados que constróem uma extraordinária história de vida. Assim como pessoas de origem simples e grande talento, também o fazem. E não é necessário que façam parte do roteiro de alguma grande trajédia. É inevitável compreender que as religiões tiveram enorme contribuição e continuam exercendo sua influência na consolidação desse tipo de pensamento.
"A felicidade nunca foi uma idéia nova (...) desde as origens, fiel à sua herança grega, o cristianismo sempre lhe reconheceu a aspiração. Simplesmente colocou-a fora do alcance humano, no Paraíso Terreal ou nos céus".

Roberto Mishari.
A verdade é que tanto o poder quanto o dinheiro trazem consequências indesejadas, para além das desejadas. E, definitivamente, não pode mais ser a mola propulsora do mundo. Não imagine que com isso esteja pregando desapegos franciscanos ou modos de hippies como solução para alcançarmos uma plenitude. Até porque é justo a indicação de uma forma de felicidade que representa o maior erro nesse contexto. O mais difícil estamos esquecendo de fazer: entender, de fato, que maneiras podem nos trazer a felicidade plena, que em si mesma corresponde a momentos de alegria e momentos de aprendizado do mais amplo leque de sentimentos. Alguns alcançaram esse nível de compreensão e por isso mesmo passamos a conviver mais com palavras como inclusão, respeito, cidadania e conhecimento.

"A esperança da felicidade triunfa sobre o declínio da idéia da salvação e da idéia de grandeza, mediante uma dupla recusa da religião e do heroísmo feudal preferimos ser felizes a ser sublimes ou salvos".

Idem.

Tuesday, April 05, 2011

Eslováquia






- Eslováquia!!! Eslováquia!!! Eslováquia!!!

Ela gritava numa alegria de ensurdecer.

- Eslováquia!!! Eslováquia!!! Eslováquia!!!


Não é tão simples explicar a euforia dessa moça. Tento sem qualquer certeza de que poderia traduzir usando apenas algumas palavras nesse espaço em branco. Já ruborizei agora mesmo pensando no bem estar dela. De manter apenas bons olhares sobre ela.

- Bratislava. Sim, claro. Bratislava!!! Vejamos... Europa Central. Fronteiras com a República Checa, Áustria, Polônia, Ucrânia e Hungria... Ah, sim. Tudo agora faz sentido. Como poderia sem você Clarice? Da França tudo bem. Embora seja tão pouca a comunicação. Quase nenhuma há mais. No entanto, jamais esperaria por esse número: seis! Apenas neste mês. Seis silenciosas visitas. Muito grata.



Olho com certa compaixão essa mulher tão simples. Que quer ser vista. Ser olhada. Ser lida. Como se expusesse aos palpites de cartomantes em decifrar linhas das mãos. Sua euforia tirou-a de mais uma manhã difícil. Poupou-lhe de alguns cigarros a mais. Soltou-a das amarras que se impôs. Agora cada vez mais firmes. Seu prazer é saber que suas ideias podem ser partilhadas. Como que ouvidas em diálogos mudos. E quando se depara com o fato de atravessar mundos, dialetos, culturas... Não. Tem motivos para toda essa festa.


Vou deixa-la curtir mais à vontade.
- Eslováquia!!! Eslováquia!!! Tchá tchá tchá. Eslováquia !!! Eslováquia!!! Hei hei hei. Será que agora está muito frio por lá? Será que você gostaria de um chocolate quente? Que idade tem? Quais foram seus momentos mais felizes? Sofreu decepções como eu? Esqueceu? Qual livro de Clarice gostou mais? Será que eu saberia dizer "Olá" em eslovaco?

"Ahoj!!!" Qual a sua comida preferida? "Dobrý deň, aké je vaše obľúbené jedlo?". Vou repetir: "obľúbené jedlo; "obľúbené jedlo"...Aká radosť!



Desculpe se interrompo, mas antes de partir, gostaria de saber: Conhece alguém que foi morar lá?

- Não que eu saiba. Meu palpite é que se deve à minha terna Clarice. Pode dizer. Se foi ou não. Olhe, já posso até imaginar apresentar-lhe o Brasil. Comer uma boa feijoada, uma caldeirada, camarão no alho e azeite. Acompanhado de uma boa cerveja na praia e muito protetor solar. Um passeio pela Rua da Aurora. De minha parte, gostaria de provar os famosos bunhuelos. Que tal um "bryndzove halusky"? Hum.... queijo de ovelha frito e bacon também frito.  Depois conheceria a kapustnica, deve ser uma fantástica sopa: repolho, presunto defumado, salsichas, cogumelos e maçãs!!! Como nunca pensei nisso? Sempre adorei caldos com maçã. E como é Páscoa, tempo de renovação, encerraria com palacinky de chocolate...

Monday, April 04, 2011

O disparo à queima roupa não calou aquele menino. 
Que fez gentileza ao policial, que acertou-lhe a bala. 
Apesar dos tiros, conseguiu ficar vivo. E injustiça cala? 
Para que eliminar somente o menino?
Quem disse que matá-lo é lutar contra o crime?


Prezado senhor policial, agora ficou bem claro? 
Não é bom companheiro o erro ou o desatino.
Como poderia ameaçá-lo? Você em grupo.
Ele desarmado... Foi vontade de ouvir estalo?


Conclusão disso tudo é que o menino estava sozinho.
Enquanto isso, como o senhor , seu guarda, há muitos...
Quantos continuarão assim? A morrer sem mover moinho.

Saturday, April 02, 2011

Condicionamento



Joana está tão apegada, tão presa ao que espera da própria coerência, disciplina, pontualidade e cumprimento das obrigações que acaba se desorganizando. Condicionada a fazer o certo de uma forma tão pesada, que faz errado por exaustão. Agora a pouco perdeu o tino e a vontade de, por exemplo, fazer aquela faxina na casa. Não suporta lavar pratos e todos os dias abrir a torneira de cara com aquela antipática pia. A montanha de roupas no tanque cresce diante dos olhos de Joana como se fosse um Monte Everest.

Não sente vontade de nada. Apenas necessidades básicas. O prazer em fazer as coisas dissolve como pastilha efervescente em contato com o suor da mão pesada. Mãe da obrigação e de olhar crítico. Quando criança era sempre levada para benzedeira. Diagnóstico: mau olhado. Sua criatividade travava com tudo. Não relaxava a menina um só minuto. “É como se tivesse perdido a chave do cadeado com que trancou a imaginação”, arrisca palpite meu filho com a mesma idade que tinha Joana.

Ainda hoje, até no instante em que respira ou se permite uma pausa para o café e aquela cervejinha com camarão suspira de angústias. Condicionada e viciada num mesmo modo igual. Sempre parece ter como propósito mexer uma ferida aberta por tédio e na pressa de vê-la cicatrizar, catuca. Joana está presa pelo tempo que não capturou em seus preciosos instantes da coisa.

 
Melancólica, entediada, fraca. Não há nela força nem ânimo para se reinventar em coisas simples como a roupa ou o sapato e a bolsa. É tudo tão previsível, sobre forte controle e rigidez de espírito que  Joana sente fortes dores de cabeça novamente. Mesmo depois de tratar do labirinto com medicação, ininterrupta. Coisa que durou quarenta longos dias. Imaginar que poderia trocar isso por uma viagem de descanso. Está apenas se levando e carregando a vida de todo dia. Precisou várias vezes mudar de casa, destruir-se para reconstruir. E implodir tudo que poderia ter sido se não estivesse tão determinada a sê-lo.

Joana quer força e sentido demais. E erra a mão. Porque não quer nada o tempo todo e quando quer não tem controle. Porque controlou o desejo todo o tempo. Não planejou com carinho, curtindo cada etapa. Cada instante.

“Estou cansada de mim mesma e de rodopiar no pilar do mesmo conflito”, diz Joana. “Exauri minhas forças querendo chegar longe e acabei não indo a lugar nenhum. Tudo que tenho hoje são lembranças”.

Situação pesada. Grande fardo o de Joana. Até a morte ficou parecendo mais leve, solução para o caso de imediato. Mas Joana não vai morrer agora. Muito provavelmente. Embora fume todos os dias, talvez para isso, não vá nunca ao médico e pareça lutar com afinco. Às vezes sai para beber com os amigos como se não houvesse amanhã. Aí, o outro dia chega, e Joana não sabe o que fazer, parece , no entanto, perdida por estar viva ainda. Levanta mais exaurida e desorganizada.

Garrafas d’água e caçambas de fazer gelo para encher. O almoço por fazer, casa por limpar, pratos por lavar, o lixo – tão maior que do dia anterior – para recolher. Sem falar na montanha de roupas crescendo. E aquela pia antipática à sua frente. Observando-a todos os dias, quando ficam cara a cara. Na terapia, Joana descobriu que busca no caos proteção. Talvez para manter distância de si mesma. Dos terríveis condicionamentos.

Thursday, March 24, 2011

foto: Julia Margeret Cameron


Perdão

Não gaste essa palavra. Entre nós não pode haver sentimento de culpa. Desculpas. Não há pelo que pedir perdão. Há de haver inteireza no pensamento e nos sentimentos que dispomos de um para o outro. É que por mais misteriosa que seja a flor do amor, é regando e convivendo com sua inusitada existência que aprendemos dia a dia e compreendemos noite após noite a relevante presença em nossa vida a euforia do amor se faz na velocidade do encontro dos corpos carentes. Necessitados do toque.

- Quero tuas mãos em todo o meu corpo. Desperta cada célula condicionada à retração pela violência do mundo que enfrento quase moribundo.

A fração do tempo de que dispomos foi o tempo preciso do acender a chama que já ardia e ainda queima em nossos corpos. O peito pleno pela esperança de um novo encontro. Um outro momento a sós. Aquecendo mutuamente nossas peles endurecidas pelo sol a pino. De existências onde não nos poupamos. Não evitamos sequer o risco de nos expor à morte silenciosa. Muda e invisível a outros olhos. O pequeno intervalo da espera de juntar nossas carcaças suadas e cansadas deve-se apenas ao envolvimento apaixonado promovido por nosso livre pensar. Nossas semelhanças em idéias sobre o mundo. Avanços e conquistas do nosso entendimento sobre tudo.

- Estava até esquecida de como é bom sentir-me aquecida que não por esses lençóis frágeis onde me faço a cada noite um casulo de borboleta colorida. Estou completamente envolta agora no leve e doce despertar de conhecer-te. Do que vislumbramos na imensa trajetória a nos reservada nessa busca de descobrirmos um outro.

- Nós que somos tão diferentes. Eu tão diferente de ti quanto de tu de mim. Eu que tanto desconheço meu próprio eu. Como é provável aconteça da mesma forma contigo. Já sinto que estamos em igual desejo de querer um ao outro.

- Mais e mais e mais e mais...

- Vem assim. Sempre. Inteira. Mesmo que a ti pareça que eu não queira. Vem assim. Assim e assim e assim... Porque  por mais misteriosa que seja a flor do amor, será apenas regando-a que a faremos vibrante. Viva! Será apenas convivendo com sua inusitada existência que aprendemos dia a dia e compreendemos noite após noite a relevante presença dessa que desabrocha em nossa vida.

- Saiba também você que tem liberdade franqueada no meu coração. Em teus sim's e teus não's. Porque está aqui presente o desejo e já é fatal a voluptuosa mistura dos nossos corpos. A inexorável e incontrolável afeição de nossas mentes. Até então dormentes para os sentimentos mais plenos provocados pela emoção dessa paixão que agora nos ocupa e preenche.

- É incontestável. Impossível ater-se a outra crença que não se pode dizer sim à vida que se faz a partir de agora. Viver só faz algum sentido se for intenso. Real é aquilo que tornamos fatos com palavras e atos na direção do amor. É inevitável. Imperdoável, se não for assim.