Lugar da delicadeza com o outro e com a própria Liberdade.

Onde se está de acordo com o único modo do humano de ser feliz

Monday, April 11, 2011

Bom dia!!!
Good morning!!!
Buon giorno!!!
Dober dan!!!
Good day for you!!!
Goede dag!!!
Bonjour !!!
Добрый день!!!
(Dobryĭ denʹ!!!)

Daccordafelicidade...

Sunday, April 10, 2011

O que fazer com a liberdade?

“A realidade é uma ficção criada pela falta de utopia”.
 Madame de Duras
 
 
Recriar a realidade a partir de uma utopia. Sem a aura perdida desde o início do período da reprodutividade. Uma vez que o futuro previsto é inegavelmente feito agora, bit a bit. Na conexão entre fluências de todas as épocas no exato instante em que teclo. Por bytes e bytes. Não mais anos e anos.
 
 
Como a militância pode fazer crer que estejamos construindo o novo se o âmbito ainda é restrito? E o que é consumido como nova informação ou conceito formativo ainda é delimitado por pensamentos felozmente e superficialmente – além de artificialmente – construídos?

Conectar com a arte e a parte da informação relevante de um fato não é tarefa simples. É preciso bem formar o ser humano e desconectá-lo vez por outra da sua rotina. Causar nele um efeito de novas dinâmicas para promover novas formas de pensar e olhar um fato ou um conceito. Caso contrário estará tudo condicionado ao compromisso de cumprir a missão de forma artificial ou imparcial. Falo de arte e comunicação.

O que é possível criar de relações com o que se resolve de imediato sem promover novas relações? Transposição de informações envolvendo sentimentos ou não envolvendo. O medo, a solidão, a falta de percepção, o imediatismo, as desconexões e a fluidez do amor que como água fica cada vez mais escassa no mundo atual. Tudo isso precisa ser desmembrado e revisto em coesão.

Como no mito do Rei Carlos Magno e a paixão dele pela donzela alemã. No advento da morte da mulher divina, e seu anel atirado no lago, o soberado apaixona-se pelo lago. E põe-se a admirá-lo. Buscar as relações e reconstruí-las com seus significados e não com simplificações. Imediatismos. Isso tudo foi para falar do desejo de descobrir: 

O que fazer com a liberdade?

Friday, April 08, 2011

"Depende de nós que o presente cumpra sua promessa de futuro"
Kant

No estudo sobre a felicidade, esse conceito tão relevante, imprescindível e cheio de variações, uma das coisas mais construtivas que pude observar é que: Existem vários modos de felicidade. Cada um escolhe na vida meios de alcançá-la. E se você me permite uma opinião: Um dos maiores erros na história da humanidade - construída diariamente por nós mulheres e homens, jovens ou na idade madura - é acreditar que "dinheiro é a melhor maneira de alcançar a felicidade". Temos que urgentemente entender outro modo. A despeito de estarmos desperdiçando o melhor da vida.

É evidente que dinheiro gera poder, conforto e uma espécie de respeito forçado às vontades dos ricos... O pior nisso tudo é que quem não tem situação financeira confortável ou favorável acaba, sem perceber, permitindo que o jogo continue sendo esse. Quando a gente ouve dizer que educação faz muito mais a diferença que uma boa conta bancária e bens acumulados não é conversa de idealista não. Quantos desses superricos não serão lembrados por nada mais que sua arrogância, prepotência e jeito rudimentar?

Claro que existem muitos aquinhoados que constróem uma extraordinária história de vida. Assim como pessoas de origem simples e grande talento, também o fazem. E não é necessário que façam parte do roteiro de alguma grande trajédia. É inevitável compreender que as religiões tiveram enorme contribuição e continuam exercendo sua influência na consolidação desse tipo de pensamento.
"A felicidade nunca foi uma idéia nova (...) desde as origens, fiel à sua herança grega, o cristianismo sempre lhe reconheceu a aspiração. Simplesmente colocou-a fora do alcance humano, no Paraíso Terreal ou nos céus".

Roberto Mishari.
A verdade é que tanto o poder quanto o dinheiro trazem consequências indesejadas, para além das desejadas. E, definitivamente, não pode mais ser a mola propulsora do mundo. Não imagine que com isso esteja pregando desapegos franciscanos ou modos de hippies como solução para alcançarmos uma plenitude. Até porque é justo a indicação de uma forma de felicidade que representa o maior erro nesse contexto. O mais difícil estamos esquecendo de fazer: entender, de fato, que maneiras podem nos trazer a felicidade plena, que em si mesma corresponde a momentos de alegria e momentos de aprendizado do mais amplo leque de sentimentos. Alguns alcançaram esse nível de compreensão e por isso mesmo passamos a conviver mais com palavras como inclusão, respeito, cidadania e conhecimento.

"A esperança da felicidade triunfa sobre o declínio da idéia da salvação e da idéia de grandeza, mediante uma dupla recusa da religião e do heroísmo feudal preferimos ser felizes a ser sublimes ou salvos".

Idem.

Tuesday, April 05, 2011

Eslováquia






- Eslováquia!!! Eslováquia!!! Eslováquia!!!

Ela gritava numa alegria de ensurdecer.

- Eslováquia!!! Eslováquia!!! Eslováquia!!!


Não é tão simples explicar a euforia dessa moça. Tento sem qualquer certeza de que poderia traduzir usando apenas algumas palavras nesse espaço em branco. Já ruborizei agora mesmo pensando no bem estar dela. De manter apenas bons olhares sobre ela.

- Bratislava. Sim, claro. Bratislava!!! Vejamos... Europa Central. Fronteiras com a República Checa, Áustria, Polônia, Ucrânia e Hungria... Ah, sim. Tudo agora faz sentido. Como poderia sem você Clarice? Da França tudo bem. Embora seja tão pouca a comunicação. Quase nenhuma há mais. No entanto, jamais esperaria por esse número: seis! Apenas neste mês. Seis silenciosas visitas. Muito grata.



Olho com certa compaixão essa mulher tão simples. Que quer ser vista. Ser olhada. Ser lida. Como se expusesse aos palpites de cartomantes em decifrar linhas das mãos. Sua euforia tirou-a de mais uma manhã difícil. Poupou-lhe de alguns cigarros a mais. Soltou-a das amarras que se impôs. Agora cada vez mais firmes. Seu prazer é saber que suas ideias podem ser partilhadas. Como que ouvidas em diálogos mudos. E quando se depara com o fato de atravessar mundos, dialetos, culturas... Não. Tem motivos para toda essa festa.


Vou deixa-la curtir mais à vontade.
- Eslováquia!!! Eslováquia!!! Tchá tchá tchá. Eslováquia !!! Eslováquia!!! Hei hei hei. Será que agora está muito frio por lá? Será que você gostaria de um chocolate quente? Que idade tem? Quais foram seus momentos mais felizes? Sofreu decepções como eu? Esqueceu? Qual livro de Clarice gostou mais? Será que eu saberia dizer "Olá" em eslovaco?

"Ahoj!!!" Qual a sua comida preferida? "Dobrý deň, aké je vaše obľúbené jedlo?". Vou repetir: "obľúbené jedlo; "obľúbené jedlo"...Aká radosť!



Desculpe se interrompo, mas antes de partir, gostaria de saber: Conhece alguém que foi morar lá?

- Não que eu saiba. Meu palpite é que se deve à minha terna Clarice. Pode dizer. Se foi ou não. Olhe, já posso até imaginar apresentar-lhe o Brasil. Comer uma boa feijoada, uma caldeirada, camarão no alho e azeite. Acompanhado de uma boa cerveja na praia e muito protetor solar. Um passeio pela Rua da Aurora. De minha parte, gostaria de provar os famosos bunhuelos. Que tal um "bryndzove halusky"? Hum.... queijo de ovelha frito e bacon também frito.  Depois conheceria a kapustnica, deve ser uma fantástica sopa: repolho, presunto defumado, salsichas, cogumelos e maçãs!!! Como nunca pensei nisso? Sempre adorei caldos com maçã. E como é Páscoa, tempo de renovação, encerraria com palacinky de chocolate...

Monday, April 04, 2011

O disparo à queima roupa não calou aquele menino. 
Que fez gentileza ao policial, que acertou-lhe a bala. 
Apesar dos tiros, conseguiu ficar vivo. E injustiça cala? 
Para que eliminar somente o menino?
Quem disse que matá-lo é lutar contra o crime?


Prezado senhor policial, agora ficou bem claro? 
Não é bom companheiro o erro ou o desatino.
Como poderia ameaçá-lo? Você em grupo.
Ele desarmado... Foi vontade de ouvir estalo?


Conclusão disso tudo é que o menino estava sozinho.
Enquanto isso, como o senhor , seu guarda, há muitos...
Quantos continuarão assim? A morrer sem mover moinho.

Saturday, April 02, 2011

Condicionamento



Joana está tão apegada, tão presa ao que espera da própria coerência, disciplina, pontualidade e cumprimento das obrigações que acaba se desorganizando. Condicionada a fazer o certo de uma forma tão pesada, que faz errado por exaustão. Agora a pouco perdeu o tino e a vontade de, por exemplo, fazer aquela faxina na casa. Não suporta lavar pratos e todos os dias abrir a torneira de cara com aquela antipática pia. A montanha de roupas no tanque cresce diante dos olhos de Joana como se fosse um Monte Everest.

Não sente vontade de nada. Apenas necessidades básicas. O prazer em fazer as coisas dissolve como pastilha efervescente em contato com o suor da mão pesada. Mãe da obrigação e de olhar crítico. Quando criança era sempre levada para benzedeira. Diagnóstico: mau olhado. Sua criatividade travava com tudo. Não relaxava a menina um só minuto. “É como se tivesse perdido a chave do cadeado com que trancou a imaginação”, arrisca palpite meu filho com a mesma idade que tinha Joana.

Ainda hoje, até no instante em que respira ou se permite uma pausa para o café e aquela cervejinha com camarão suspira de angústias. Condicionada e viciada num mesmo modo igual. Sempre parece ter como propósito mexer uma ferida aberta por tédio e na pressa de vê-la cicatrizar, catuca. Joana está presa pelo tempo que não capturou em seus preciosos instantes da coisa.

 
Melancólica, entediada, fraca. Não há nela força nem ânimo para se reinventar em coisas simples como a roupa ou o sapato e a bolsa. É tudo tão previsível, sobre forte controle e rigidez de espírito que  Joana sente fortes dores de cabeça novamente. Mesmo depois de tratar do labirinto com medicação, ininterrupta. Coisa que durou quarenta longos dias. Imaginar que poderia trocar isso por uma viagem de descanso. Está apenas se levando e carregando a vida de todo dia. Precisou várias vezes mudar de casa, destruir-se para reconstruir. E implodir tudo que poderia ter sido se não estivesse tão determinada a sê-lo.

Joana quer força e sentido demais. E erra a mão. Porque não quer nada o tempo todo e quando quer não tem controle. Porque controlou o desejo todo o tempo. Não planejou com carinho, curtindo cada etapa. Cada instante.

“Estou cansada de mim mesma e de rodopiar no pilar do mesmo conflito”, diz Joana. “Exauri minhas forças querendo chegar longe e acabei não indo a lugar nenhum. Tudo que tenho hoje são lembranças”.

Situação pesada. Grande fardo o de Joana. Até a morte ficou parecendo mais leve, solução para o caso de imediato. Mas Joana não vai morrer agora. Muito provavelmente. Embora fume todos os dias, talvez para isso, não vá nunca ao médico e pareça lutar com afinco. Às vezes sai para beber com os amigos como se não houvesse amanhã. Aí, o outro dia chega, e Joana não sabe o que fazer, parece , no entanto, perdida por estar viva ainda. Levanta mais exaurida e desorganizada.

Garrafas d’água e caçambas de fazer gelo para encher. O almoço por fazer, casa por limpar, pratos por lavar, o lixo – tão maior que do dia anterior – para recolher. Sem falar na montanha de roupas crescendo. E aquela pia antipática à sua frente. Observando-a todos os dias, quando ficam cara a cara. Na terapia, Joana descobriu que busca no caos proteção. Talvez para manter distância de si mesma. Dos terríveis condicionamentos.

Thursday, March 24, 2011

foto: Julia Margeret Cameron


Perdão

Não gaste essa palavra. Entre nós não pode haver sentimento de culpa. Desculpas. Não há pelo que pedir perdão. Há de haver inteireza no pensamento e nos sentimentos que dispomos de um para o outro. É que por mais misteriosa que seja a flor do amor, é regando e convivendo com sua inusitada existência que aprendemos dia a dia e compreendemos noite após noite a relevante presença em nossa vida a euforia do amor se faz na velocidade do encontro dos corpos carentes. Necessitados do toque.

- Quero tuas mãos em todo o meu corpo. Desperta cada célula condicionada à retração pela violência do mundo que enfrento quase moribundo.

A fração do tempo de que dispomos foi o tempo preciso do acender a chama que já ardia e ainda queima em nossos corpos. O peito pleno pela esperança de um novo encontro. Um outro momento a sós. Aquecendo mutuamente nossas peles endurecidas pelo sol a pino. De existências onde não nos poupamos. Não evitamos sequer o risco de nos expor à morte silenciosa. Muda e invisível a outros olhos. O pequeno intervalo da espera de juntar nossas carcaças suadas e cansadas deve-se apenas ao envolvimento apaixonado promovido por nosso livre pensar. Nossas semelhanças em idéias sobre o mundo. Avanços e conquistas do nosso entendimento sobre tudo.

- Estava até esquecida de como é bom sentir-me aquecida que não por esses lençóis frágeis onde me faço a cada noite um casulo de borboleta colorida. Estou completamente envolta agora no leve e doce despertar de conhecer-te. Do que vislumbramos na imensa trajetória a nos reservada nessa busca de descobrirmos um outro.

- Nós que somos tão diferentes. Eu tão diferente de ti quanto de tu de mim. Eu que tanto desconheço meu próprio eu. Como é provável aconteça da mesma forma contigo. Já sinto que estamos em igual desejo de querer um ao outro.

- Mais e mais e mais e mais...

- Vem assim. Sempre. Inteira. Mesmo que a ti pareça que eu não queira. Vem assim. Assim e assim e assim... Porque  por mais misteriosa que seja a flor do amor, será apenas regando-a que a faremos vibrante. Viva! Será apenas convivendo com sua inusitada existência que aprendemos dia a dia e compreendemos noite após noite a relevante presença dessa que desabrocha em nossa vida.

- Saiba também você que tem liberdade franqueada no meu coração. Em teus sim's e teus não's. Porque está aqui presente o desejo e já é fatal a voluptuosa mistura dos nossos corpos. A inexorável e incontrolável afeição de nossas mentes. Até então dormentes para os sentimentos mais plenos provocados pela emoção dessa paixão que agora nos ocupa e preenche.

- É incontestável. Impossível ater-se a outra crença que não se pode dizer sim à vida que se faz a partir de agora. Viver só faz algum sentido se for intenso. Real é aquilo que tornamos fatos com palavras e atos na direção do amor. É inevitável. Imperdoável, se não for assim.

Wednesday, March 23, 2011

Drama em voz feminina

“Cada fracasso ensina ao homem o que ele precisava aprender
Charles Dickens


Caro Anjo bom,

Conecto-me novamente a você. Engulo meu orgulho do sentimento de abandono que tive. Sei hoje que sempre esteve comigo, mesmo quando foi difícil nossa sintonia. Fraca de sinal. Ainda posso ouvir sua música a cada instante e em todo momento. Ainda sinto me muito só! 

Mas nessas horas em que sonho contigo, consigo ver teu sorriso colando em meu ouvido. Ora cuidando dos meus filhos queridos, ora cuidando de mim, ora dos meus amigos. Amo a ti para sempre meu Anjo! Um sempre que é também o tempo todo. 

Estou muito feliz hoje porque ainda há tempo de festejar o teu dia preferido. Acenderei velas por isso. Atearíamos fogo na lenha fazendo a mais linda fogueira estivéssemos juntinhos. Mas tenho fé que um dia ficaremos mais próximos novamente. Mesmo sem tua presença há tua alegria nova ainda em mim com uma paz que não havia. Uma liberdade de sentidos. É uma alegria calma, como na noite escura de Clarice.

Mesmo que eu esteja cheia apenas da minha mesma alma agora, sei muito bem quem eu fui, nos tempos do Olimpo. Sei que fui eu que comecei a desenhar o fim. Lembrei de mim há pouco. Estava no meu corpo por empréstimo de mim mesma. Sei que não será consolo dizer que não era eu. Ou que sendo em mesma, naquele momento, estivesse eu ciente, agiria de outra forma. É a mais pura verdade. Houve em mim vaidade. 

Parece que precisava andar até onde andei me perder da minha alma algumas vezes e me fazer alguém nova. Alguém com quem eu possa me reconhecer. Perdoei a mim mesma e por motivos firmes, sólidos. Sobra hoje esse perdão. Estarei sempre no mundo com o propósito de dar o melhor aos filhos. Mesmo quando matematicamente não for possível. Mas saberei sempre fazê-los crescerem felizes. Sem espaço para qualquer milímetro de dúvida. 

Por isso, agora, te escrevo meu Anjo, e escrevo. É que estou eu em grande dúvida, do teu amor por mim. Sei que não deveria ser essa a minha busca, mas é que parece que todo o tudo que existe vem depois dessa certeza tão improvável. Sei que podes dizer de mim agora que sou tão imatura. Insegura. Vou me reconhecer e encontrar me em meu lugar. Mesmo que hoje pareça difícil, creio, por visões do cinema, que eu sei por onde começar. Meu pássaro azul, deve estar preso em mim mesma.

Sinto-me agora como em três verões, milhares de banhos de mar. Sinto o sal – grudado no espírito! – novamente brilhando impregnado no corpo ao sol. Serei sempre doce contigo. Serei mais que este ser humano perdido. Vou tornar definitivo esse amor sem idas e vindas. Aprendi muito, mas esqueci o que ensinam as ondas do mar. 

Porque tudo que quero da felicidade na vida é ser eternamente. A felicidade para mim é terna. E infinita. Eternidade é a melhor palavra que encontrei para te dar de presente. É visível. Porque você sempre existirá mesmo que eu não possa te ver. Toda a certeza da beleza da minha vida voltou quando comecei a entender meu papel.  Agora posso ver. Por isso, perdoando poderei novamente viver com a minha alma. Sem qualquer sombra de dúvida. Na certeza de pressentir tua existência, meu caro anjo da guarda.

Friday, March 18, 2011

"A nuvem radiotiativa de uma usina nuclear fica contida no raio de trinta quilômetros da área atingida". 


A gente acredita. 


Do que eu posso entender, o homem não precisa inventar guerras e usinas como remédio contra o tédio. Os desastres naturais ocupam mais. Cuidar do que restou, satisfaz?

Thursday, March 10, 2011

Esses olhos alimentam a fantasia. 
Olhar sem poesia diferença faria?

Sunday, February 27, 2011

Respondo

Empenho no que sobrou desse tempo esforço danado em ser responsável pelo meu e pelo sentimento. Porque seduzir é mesmo uma compulsão, às vezes. Mais força demonstro ao resistir. Pelo menos é real. E não reflexo em céu aberto, por espelho da água da chuva onde encontro com precisão imagem de mim mesma que inventei. Como na fotografia citada que revela o inconsciente ótico do fotógrafo. Soube quando a psicanálise revelou o inconsciente pulsional e mostrou o que eu não via.

Friday, February 25, 2011

Carnavália

Parem, por favor, por todos os Deuses, o tempo do todo poderoso "passionato amore". Peçam, por caridade, para que toda água que caia seja da chuva ou de uma lágrima rara. Essa alegria danada, esse impulso de contentamento fácil, está me doendo no corpo. Fantasias sem limites, imediatices, quantas palavras ternas tornadas tolices.

Parei com a celebração por Momo. Ouvi sua risada sonora em seu trono. Ria-se todo, de corpo e alma, por minha tontura aceita com tanta calma. Veja agora se não estala em meu ouvido mais um desses apitos e zunidos. Não quero mais esse ensurdecedor estrondo de milhares de quilowatts. Tantos instrumentos tocados sem alento. Apenas com impulso de quem nem está mais atento.

Não se enganem em imaginar que peço pelo fim da fantasia. Por mim, impera o reino da alegria com alguma magia. Alguma espera e meninice. Toda certeza que está na constância e natureza das coisas, nas similitudes da vida. Promoverá tamanha euforia pensar assim o carnaval de modo a fazer dos outros dias do ano uma certeza de Amor mais plural.

Para tod@s,

Tuesday, February 08, 2011

Uma aprendizagem ou os livros que despertam o prazer de ler

A menina tem doze anos e já leu 5.386 páginas do fenômeno Harry Potter, da encantadora senhora J.K. Rowling. Sem falar em todos os livros propostos pela escola como Os miseráveis, de Victor Hugo e O nariz, de Luís Fernando Veríssimo e outros. Em média tem devorado de quatro a cinco livros, no período das férias.  Inclusive os de Ágatha Christie.

Circular naquele espaço - chamado de bienal – para ela que observa tudo com atenção de leitora desperta, mostrou-se apenas a insuficiente sensação de estar pouco mais próxima das editoras com seus símbolos nos exemplares que costuma adquirir. Viu escritores ali circulando e falando nos auditórios, mas para ela pareceu estarem em situação de algum desconforto.   Não pelas palavras que escolhiam certificando suas opiniões, como nos livros. Mas pelo ambiente tão seco de montagem passageira e pouco convidativo. Faltou juntar o ambiente das ideias a uma decoração mais cativante às mentes tão criativas.

E na ausência de algum mistério o sonho, a imaginada tarde em meio aos livros tal qual um Visconde de Sabugosa esquecido na biblioteca da simpática Dona Benta se desfaz em quarenta minutos feito bolha de sabão. “Mãe, agora já podemos ir para casa. Acho que já vi tudo". É fato, ela não andou todos os metros quadrados de alcatifas surradas e empoeiradas. Mas já viu tudo que podia. E basta.

Sua fala é uma reação imediata também ao momento “livros didáticos”, em derrame de tinta sobre papel em modo duro. Sem limites para erros e mau gosto. Não é o que a menina gostaria de ver. Tocar. Achou legal a invenção de uma gráfica que imprime livros rápidos e o anfiteatro onde alunos e professores interagiam com autores. Também aquela cozinha especialmente preparada para tornar-se ponto de encontro, o mais agradável, na hora do café.

O cansaço dos olhos da menina está na poeira do que é tornar feira ambiente onde esquece que o modo de pensar também elabora o modo de desejar. E quem procura por uma boa literatura e conhece lindas livrarias. Não contenta. Melhor fazer como fizeram num outro Estado, soube. Uma árvore com livros pendurados e fios enormes para permitir ao leitor o inenarrável prazer para o qual nasceu. Ler debaixo de uma frondosa árvore com a brisa leve soprando seu rosto enquanto viaja pelas páginas que transpõe uma a uma.

Viu muitos lançamentos, a menina. A própria escola adotou edição especial de uma editora paulista por sugestão dela. Os livros estimulam o pensamento e firmeza de opiniões. Desenvolve a capacidade de ter segurança em alguma iniciativa. A menina sabe do empenho necessário para vender livros, por histórias que conhece na família.

Foi a palavra “originalidade” que buliu rápido com a percepção dela. Talvez porque é diferente sua velocidade de pensamento, ao perceber em alguns corredores o ataque direto, frontal para um tipo de produto que entristece a cabeça da menina à espera de algo mais. Já acostumada ao assédio dos shoppings, para ela, não há nisso nenhuma novidade.

O mérito de um evento assim continua sendo a reunião de cabeças pensantes e boas propostas em realizar o grande desejo de um bom leitor. Mistério parecido com o do coelho pensante, de nariz cor-de-rosa que mesmo de barriga cheia, quer ir em busca de mais comida. Escapando do seu lugar ou para ele reservado.

Ali, por exemplo, uma das grandes livrarias teve a boa idéia de destacar obra completa de Ziraldo usando as cores do universo de Flicts. A menina não precisou de muito tempo para perceber que ali queria ficar. Porque nada interessa mais e desperta seus instintos de boa, curiosa e voraz leitora do que ler nas entrelinhas, e isso inclui a palavra "feira".

Monday, January 31, 2011

Nas asas da borboleta

No bater de asas da pequena borboleta teve início o tufão do outro lado do mundo. O terrível incidente, episódio da natureza, faz crer até hoje - em princípio - a tendência ao caos. As interrelações. Madeleine McCann está agora em algum outro lugar por um motivo simples que fez seus pais a deixarem com os irmãos gêmeos. Kate e Gerry foram absolvidos. Os gêmeos também.  

Que nas asas dessa pequena borboleta esteja a alegria de saber do fim em si mesmo. Cuidados com os filhos. Crianças vivendo ingenuidades, não negligências. Sem as naturais maldades a apavorá-las. As tragédias. Que impere a vontade de conhecer melhor o amor criando uma nova onda. Não caótica. Positiva no pensar.

Sei que o pessimista pode ser apenas um otimista com experiência. Mas um otimista pode criar uma nova realidade. Hoje somos capazes de construir tudo. Tudo no ambiente virtual. Então vamos recriar no universo real de boas possibilidades. É mais do que pensar. É crer. Acreditar. E alimentar ondas positivas. Nas asas da borboleta fazer vibrar universo mais justo. De bons impulsos. Ondas positivas em sua dimensão.

Há uma aposta alta que faço agora. Aposto com você todo o amor que dedico e bons pensamentos podemos transformar. É um ruflar colorido. Positivo. E que ninguém dedique seu olhar a outro ser humano senão de contemplação positiva. Mas do que crítica. Contemplar justo. Admirado e terno. Como ensinou Aristóteles. É profundo compreender o mundo.

Esse ruflar pode desencadear algo novo, além do espelho onde descrevemos a terra no centro do universo. Ou o humano adulto. Há outros centros. Pode haver um novo modo. Imprevisível e positivo. De criação contemplativa. Asas de borboleta, como no olhar de Julia Margeret Cameron, infância de asas e flores. Anunciação. Suave ruflar a recriar nosso pensamento.

Monday, January 24, 2011

Fotografia de tio

Olho para a janela do quarto e lá está ele. Em sua hospedaria dos Tempos Perdidos. Esse tio me ensinou a amar os livros, além do amor que já estava em mim. Ensinou-me o primeiro sentido sobre a leitura. Concordo ao ler seu amigo com nome que lembra “coquetel” escrever sobre sua cadência. Um escritor que se submete apenas à noite e ao mel. Com um desejo de felicidade cego, insensato e frenético. Que ora soa como hino, ora como elegia. Este é meu tio!

Em sua escrita identifico a sua busca por uma canção suprema. Sem precedentes. Um auge de beatitude. Em outros instantes percebo que se doz de forma a ensinar o valor da dor. Do empenho, do trabalho árduo, do sofrimento. A felicidade que só brota do grande esforço da semente e desabrocha como um poema lírico a invadir a floresta encantada da recordação.

Seu duplo impulso de felicidade ligou – me ao essencial. Conectou – me ao mais profundo da compreensão daquilo que pode habitar o pensamento em sentimentos humanos de suas próprias memórias. Descreve a alegria de esconder –se por trás da página até ouvir sentenças como “feche o livro, é hora do jantar”. O mesmo sentimento de grande esforço me invadia. Eu me escondia, meu querido tio. Procurava a árvore mais esquecida, subia nela. Ou ia até a torre erguida no terreno da casa e deixava que chamassem meu nome.

Como sua escrita como um biscoito agora, ao ouvir suas histórias de cocheiro e bebo o vinho tinto quente que quase derrama em meu colo no vai e vem da carruagem. Atravesso em sua companhia a ponte do nosso sonho em comum. Não é idêntico, mas semelhante.

Suas palavras em textos tecidos são a manta que me aquece agora. Nessa noite fria de nenhuma outra parecida. Não canso de preencher minha mochila de boas leituras como as tuas. Tecer bonitos bordados das melhores lembranças desenhadas por ti. Chego a sentir novamente o sabor do vinho quente com biscoitos que me ofereceste tão ternamente em noites frias.

Enquanto chacoalha a diligência que guias em terreno de sobressaltos sacode meu raciocínio e fico às voltas com o reconhecimento da ausência de um número. Sua paixão pelas figuras mais ternas também não me escapa. Não são comensais, mas as mais penetrantes e íntimas estruturas humanas que se confundem com as folhagens dos palacetes. Hipnotiza – me com a descrição dos ambientes em que diverte –se com o gosto por cerimônias e outros lazeres em suas colocações irônicas.

Seu apreço por descrever os prazeres desse grupo pequeno e organizado. Duro e simples em sua lógica dominante, que meu querido tio critica e analisa de forma verdadeira porque identifica seus defeitos e preconceitos em esnobismo. A tolice dos seus pressupostos. Amo sua liberdade e seu esforço de resistir à falta de fôlego. Suas crenças, sua atitude isenta em desenhar revelando o que está por dentro de todo esse ambiente em que viveu e reproduziu.

Deu – me a chance de mergulhos profundos em seus momentos de reminiscências de belas imagens. Quando também pude comer até o caroço de suas lembranças como a uma fruta doce que saboreei até o grão.

Castanha do pé de caju do sítio onde morei em tenra idade. Suas imagens me levaram a Paris várias vezes. Tanto que impregnaram em minha imagem e muitos me reconhecem como alguém que já havia estado na cidade. Até hoje ainda duvidam quando afirmo conhecer bem meu país. Foram os cenários que tão bem descreveste e comi. E impregnaram em mim.

Como cheiros e perfumes. Bebi como um recém – nascido bebe o leite saído do peito da mãe. Gostoso inesquecível a alimentar minha vida, então, tão insípida e abstraída de outros prazeres. Queira entender de tais prazeres e odores e a aura de abstração criada por ti encaixava em mim. Como uma manta me aquecer e cobrir meu corpo de menina aos onze anos.

Partilho hoje da tua falta de fôlego, meu terno tio. Porque, apesar de tudo, também me ergui e amei nessa vida. Também me dei aos tombos, aos valores perdidos de palpitações sinceras. Frases pensadas e não menos legítimas. Quanto pensar contigo aprendi. Ao ingressar no teu universo de dedicação ao indizível aprendi a conter a respiração e segurar pelo tempo que pudesse.

Tudo para recriar a realidade dos homens. Comungo da certeza de que também o fôlego me faltará no instante da morte. Também meus pulmões e todo meu sistema respiratório. Meu corpo inteiro não poderá conter o sopro intenso do desejo de recriação do mundo.  

Wednesday, January 05, 2011

Idade da razão


Chaleira fervendo sobre a mesa. O que mais aquece nesse Recife Inverno? Não pondero opiniões e suspeito dos não erros de quem só vai direto ao ponto. Sem desconto. Concerto do meu soneto. Calço as sandálias que perdera no caminho. Sei hoje quanto mereço. Vejo pouco menos com os olhos e pouco mais com o que sinto do entorno. Avisto na Boa Vista notas musicais saindo do asfalto. Palavras completas acompanhando os carros em velocidade. Vibro com o andar da carruagem.  

Muito ainda precisa ser feito. Diogo vendia doces ontem à noite nos bares. A mãe é carroceira. Ela está tirando um cochilo ali no 13 de Maio. Recebe bolsa família. Mas precisa de mais trocados. Explica o galego de cabelos não cortados. Não pode dormir tarde. E o horário da escola? Moça, eu estou de férias. Por isso, trabalho. A senhora vai ou não vai comprar o confeito ou me dar um trocado?

Posso fazer isso não, Diogo. Mas sente aí, coma alguma coisa. Depois você explica a sua mãe que criança na rua é perigo. À noite mais ainda. E que você ainda não tem idade para trabalhar desse jeito. E Diogo se espanta comigo. Eu já tenho 9 anos!!! Reagiu, indignado... Talvez pareça muito porque você já está cansado, não?  Não é isso dona. É que lá onde eu moro é muito pior do que aqui. E mesmo assim me safo. Não foi ninguém que mandou eu vender. Sou eu mesmo que quero. Prefiro muitas vezes estar aqui.

Diogo me deixou sem palavras. Enquanto ele comia, eu não sabia o que dizer.

Monday, January 03, 2011

Mel de abelha

O que é a compulsão por leitura? Por que não se pára de querer mais e mais ler quando se consegue entender o que está escrito? Outro dia, andava pela rua Dom Bosco, no bairro da Boa Vista e vi uma frase escrita no muro do lado direito. Estava escrito: “Corno é assim mesmo, lê tudo que vê”. É. Aceito. Corno deve vir do grego “Cornus”. Como no caso da palavra “unicórnio”. Um único chifre. Chifre que é cornus em grego. Fiquei pensando nisso. Pois chego à conclusão de que pode virar corno quem não lê. Acho que essa idéia de poder a ter chifres deixou as cabeças mais pesadas ao circular por aí. É como cabelo procurar cabelo em sapo. E todo mundo sabe que quem procura acha.

Vou tentar explicar minha teoria. Outro dia um amigo doutor em literatura, que está agora em Nova York, aconselhou me a deixar um pouco os livros e ir viver. Nesses impulsos de estar sem sair a muito tempo e carente de alguma atenção, quase que por distração, fazia nascer cornos em alguém que nem conheço. É. O mundo é assim e não é de agora. Mas ainda acho que quem lê não tem como ganhar esse adereço. Desde que aprenda a ler. A língua do outro. Não um outro como nesse não casa que quase me punha a bancar a decoradora. Mas a língua de quem está com você. Difícil é perceber e conter a tristeza diante da decisão do outro.

Quando o outro já quer, mesmo se você sabe ler, você vai virar corno. E quando lê, não pode mesmo evitar esse sofrer. Mas vai que o outro percebe sua excessiva atenção e tem algum coração. Aprender a ler pode fazer você evitar que um avião em pleno vôo aterrisse e deixe o outro a navios ver. Mas acho melhor ter mais preocupações com o que vai dentro da cabeça.  Ainda mais agora que até presidenta a gente já tem. 

Ao invés de perder tempo em frases como: “corno, ser ou não ser?”. Melhor mesmo é aprender a ler. Porque relembrou a mineira agora comandante do nosso barco, inesquecíveis mesmo são as palavras de Guimarães Rosa. Porque "o correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem". E ler, ler, ler e ler.

E se deixar nessa compulsão levar para outra dimensão. O que me faz lembrar uma amiga assim. Ela lê: bula de remédio, manual de instrução, composição de produto limpeza ou higiene pessoal. Lê gibi, revista, jornal, carta, enciclopédia, dicionário e livro.

Ela lê de tudo e faz da leitura diária um abrigo. Não sai de casa antes de ler o jornal. Não compra um produto antes de ler o que está na embalagem. Lê cada item descrito no manual, afinal saber do óbvio não faz mal. Revisa textos de jornal, cartaz de artigo feminino e até artigo científico. Lê as placas nas ruas para os filhos, mesmo que idades não tenham pra isso. O resultado é que um deles perguntou aos quatro anos, antes de alfabetizado, por que farmácia tem acento e o mesmo não acontece com supermercado? Deu provas de ser super dotado? Na opinião apenas estava esse menino acostumado a ouvir tantas palavras por sua mãe já ter tanto falado.

Mas essa minha amiga, chamada Débora, de abelha ou agora abelhuda, talvez, na sua visão, tem mania de olhar os classificados e só assim ficou sabendo do fim de um noivado. Viu o apartamento dos amigos recém-casados ali anunciado. Mas, voltando ao tema do texto, se corno é aquele que lê tudo o que vê ou se aquele que faz isso pode um dia corno vir a ser. Acho que prefiro o risco de ser corno, o que qualquer um de nós está vida inteira a correr, do que parar de ler. No entanto, na pior das hipóteses a minha amiga Débora que lê tudo, vai ser a primeira saber. Na pior das hipóteses.

Wednesday, December 01, 2010

Só porque sou criança, não pode rir de mim....

Sunday, October 03, 2010

Abrigo


Está ficando tarde. E há algo que eu preciso te dizer: tanta coisa mudou em nossas vidas. Somente o Amor que sinto continua preso em mim. É preciso que saia. Que brote. Vou com a espada em punho, abrir a fenda que separa blocos maciços. Pôr com cautela sua lâmina. Para que abra caminho com todo zelo, todo cuidado. E para que nenhuma das pedras, por sobre eles, caiam em nossas cabeças. Esse jeito que procuro te revela apenas a primeira prova do valor que tem. A dimensão. Nem um fio de luz consegue passar hoje por essa brecha. Desejo iluminar esse lugar tão hermeticamente isolado por camadas espessas de areia e calcário. É noite ainda. Espero amanhecer para que ação seja exata. Precisa, porque necessária.  

Não houve palavras entre nós. Houve um número. Houve a ausência de paredes. De espaço próprio. Um filete de tempo. Dez deles. Dias dias. Foi do que precisava. Mas este silêncio e a distância que prescindo agora poderia torná-los meses. Mais de dez semanas se passaram. Reencontramos nossas lendas. Isolados como o ambiente por nós protegido. O sonho é de construção tão sólida quanto a matéria de que somos feitos. Há um ar rarefeito nessa caverna neste exato momento. É mister que se ventile o lugar. Que se ilumine. Que você se aninhe. Que eu me encontre também aninhada no teu peito. Erguida por teus braços de árvore altiva. Macieira no jardim. Tu alimento que me salvou de uma fome sem nome e sem fim.

Nosso segredo ultrapassará anos. Mil anos. O que sinto é terno. De um enlace igual e permeado por definição de nós mesmos. O sentimento de segurança que é tão raro e que antes compreendíamos estar em outro lugar. Agora que esse tempo passou, não é sincero abandonar o tesouro da criação do mundo em ambiente tão frio. Tão sem luz ou calor. Ao abrir essa fenda, com a precisão de abrir caminho por entre as muralhas firmes em atrito, será descoberto um novo universo. Um novo abrigo. Um lugar de onde brota água limpa e pura. Ergo punhos em direção ao encontro dos blocos. É tua a espada que carrego. E vejo agora em sua lâmina reluzir o primeiro raio de sol. É a manhã que chega. Abri.

Monday, August 30, 2010

Espero por uma compreensão de mim mesma que seja como diegese*. Eu obra, tu a linguagem que me narra e lê, que me traduz como presença sonora que partilha a cena com o eu personagem.

*Diegese é um conceito de narratologia, estudos literários, dramatúrgicos e de cinema que diz respeito à dimensão ficcional de uma narrativa. A diegese é a realidade própria da narrativa ("mundo ficcional", "vida fictícia"), à parte da realidade externa de quem lê (o chamado "mundo real" ou "vida real"). O tempo diegético e o espaço diegético são, assim, o tempo e o espaço que decorrem ou existem dentro da trama, com suas particularidades, limites e coerências determinadas pelo autor.

Em Cinema e outras linguagens audiovisuais, diz-se que algo é diegético quando ocorre dentro da ação narrativa ficcional do próprio filme. Por exemplo, uma música de trilha sonora incidental que acompanha uma cena faz parte do filme, mas é externa à diegese, pois não está inserida no contexto da ação. Já a música que toca se um personagem está escutando rádio, por exemplo, é diegética, uma vez que faz parte do contexto ficcional.