Lugar da delicadeza com o outro e com a própria Liberdade.

Onde se está de acordo com o único modo do humano de ser feliz

Tuesday, June 14, 2011


Moldávia

Até uma semana atrás não havia sequer ouvido em toda a minha vida este nome. Moldávia. Ou de sua capital Chisinau. Agora, já tomei conhecimento até mesmo de fatos inusitados. Como o surgimento de uma cruz no céu da República de Moldova que assombrou a todos. Impressionou alguns e foi vista sem nenhum entusiasmo por outros. Tenho adquirido conhecimento sobre seus bosques e clubes e parques verdes gelados. Assombrados. Cenários de terríveis histórias de mortes atribuídas à menina ruiva. A mesma Moldávia dos passeios de barco no lago Komsomolsk. E a tristeza em seu cemitério. Deve haver uma singular alegria nos que vivem na República da Moldava. O fato é que ainda é do meu completo desconhecimento.
Carminha

Menina dos pés descalços em asas e saltos! Pare um pouco e respire fundo. Não se perca em duro asfalto. Correndo tanto por esse mundo. Já sabe onde quer chegar? Não lhe bastam as fronteiras da Torre? Não aprendeu modo simples de caminhar. Parece sempre voar baixo e não quer nunca mais parar. Menina de vestido rasgado, seu sonho é ir no mercado, comprar tecido florido e adereço rendado. Aposto que essa menina dos pés tão alados, em seus sonhos paga mesmo um dobrado, pra ter seu canto de terra e casa de vasto telhado.

Frequenta a igreja da torre, a missa pra santa luzia, sabe de cor salteado cada trecho do livro litúrgico. Não perde as contas do terço, lida com os fundamentos da igreja, de um jeito mais que cirúrgico. Repele os olhares sobre ela, porque vai se manter donzela, até que um dia lhe caia de amores, o primo caçula que apelidou-lhe gazela.

Essa menina, escute agora, a prece que faço por ti, que nesse mês de festejos juninos todos os santos protejam teus sonhos, não apenas o santo de nome antônio. Mas também o João e o indeciso Pedro que por três vezes negou o amor e dedicação à essa filha do meio. Que toda abundância recaia sobre a terra que com carinho tocaia, zela e trabalha diariamente nela.

Por tudo que já fez pelos filhos, irmãos, primos, primas, sobrinhas e sobrinhos. Por todos que em tua vida ajudaste regando teu sonho de construir um bom ninho. Onde nos dias de sol acolhe a familia e os amigos e em dias de chuva chora tua solidão baixinho.

Monday, June 13, 2011

Soube no momento em que lia Walter Benjamin que pela primeira vez me faria feliz ser tomada de assalto. A sua narrativa de uma filosofia histórica facilmente oferece a compreensão dos novos tempos a partir do que perdemos e ganhamos - qaundo sim - na reprodução. De um tempo de liberdades e desapegos. Responsabilidades em suas conexões. Da criação de um novo mundo que como semente mataria a própria erva daninha dominante. Karl Marx previa o futuro. Benjamin oferecia nos seu manual de instruções.
Círculos concêntricos em sintonia fina

Ocupam-me as coisas divinas e as menos avançadas - para usar palavra branda - e conceitos modernos. Andei pelas ruas, outro dia, escolhendo: qual das minhas lembranças vão "me salvar"? São todas minhas, eu sei. Não caíram do céu ou brotaram do inferno. Eu e minha cabecinha tão criativa fomos buscá-las. Cada uma. E quando digo isso é uma a uma mesmo!

Despertar sozinha ao brotar do dia, dá nisso. Sem qualquer humor, somente com simplicidade, eu digo: Não, não será um remédio para enxaqueca ou dores de estômago. Muito menos para os ânimos. Sim, se eu fosse afeita a leite, seria um copo dele morno com chocolate. No capricho. O poderia ainda querer dizer: com barulho?, de liquidificador mesmo. Para os meus filhos é simples assim! Ficou famosa entre meus amigos a frase-despertar da menininha de um ano apenas, reinando entre adultos numa casa de praia, em final de semana: "Quero lete!". Mas como já nasci madura. Nunca fui afeita a copos de leite. Somente em buquês de flores.

Nunca consegui apreciar tal bebida. Exceto bem quente, nunca morna, e com sal e manteiga. Acompanhada de torradas. Jamais pura ou com açúcar. Sinto de imediato a náusea. E, sim, "é de corpo inteiro", Clarice. Santificado seja esse despertar. Vou confessar que o primeiro destino de um movimento meu se põe a pequena distância da cama. Trata-se de um botão. O play.

Música! Até chegar ao fogão e um breve café com tapioca, não abro mão de uma voz suave ao pé-de-ouvido. Depois de cumprido esse ritual estou pronta para todas as estações. Ouvirei a voz de vários diabinhos dizendo dos outros, e em boa parte de si mesmos. Estou pronta para tudo. Como ler Silvina Ocampo:

"Tens cuidado: se elegeres mais coisas do inferno que do céu, iras talvez ao céu, do contrário, se eleger mais coisas do céu que do inferno, corres o risco de ir ao inferno, pois teu amor pelas coisas celestiais denotará mera concupiscência. As leis do céu e do inferno são voláteis. Depende de um ínfimo detalhe que vás de um lugar a outro. Conheço pessoas que por uma chave girada numa gaiola de vime foram ao inferno e outras que por papel de diário ou um copo de leite, ao céu".

Corta. Passo seguinte: vou ao teclado, lembrando de um céu de estrelas sob meu olhar que deita em direção ao rio. São luzes, de uma cidade que adormece. Em paz. De volta às ruas, não me abandona a lembrança do edifício da rua que tem nome de novo despertar. Para mim passou a existir - como já havia a expressão: Te levo pra Aurora! Busco nova sintonia.

Lembro - me claramente do meu olhar fixo no balão colorido enquanto ganhava os céus. De como fui subindo junto com ele, levitando, até que ele parou por instantes, preso na cadeira mais alta da roda-gigante e depois seguiu sua viagem. Era finalzinho de tarde e estava no parque como tantas outras crianças que ostentavam seus balões de gás hélio. Enquanto o meu, havia se perdido. Eu havia deixado escapar... O adulto que me acompanhava ainda tentou consolar minha perda com outros brinquedos coloridos, jogos, algodão doce - também cor - de - rosa - até uma maçã do amor. Igualzinha a da Branca de Neve.

Eu mesma escrevi e lembro perfeitamente do sentimento que tive naquele momento da minha infância. Como é curioso o que a memória escolhe lembrar. Gostaria de poder perguntar a Silvina Ocampo se essa é uma lembrança que me levaria ao céu ao inferno. Afinal, memórias da infância são o que somos. E cada pessoa é mesmo uma sinfonia muito particularmente estranha a qualquer outra, por mais que duas delas se encontrem e estejam bem certas de que são até parecidas.

Desafino. Ah, sim. Quem não desafina? Mas me lembro bem de detalhes preciosos como uma mão trêmula ou um trejeito no canto da boca. Um pé que se mexe. Gostar de detalhes nem sempre salva. Ou absolve. Apenas excede a nossa capacidade de receber. Lidar com tudo que está ao redor já foi até fácil para mim. Fui criando canais, recebendo informações e fazendo-as circular por linhas alternativas de compreensão dos fatos. 

Círculos concêntricos dos sentimentos que estão por trás de cada gesto simples como tirar da mesa a carteira. Ou do bolso da calça a chave do carro. Não quero ser condenada por observar tanto, mas não consigo desligar esta tomada. A cada nova investida do meu olhar suave sei que posso desconectar. Confesso, porque minha rede anda até firme ultimamente.(Agosto 2008).
Não tem nada melhor que a inteligência comum. Nada de pirotecnias ou genialidades. Comece abrindo mão de trocas novas, carinhos irresistíveis. Opte pelo projeto que está em curso, guarde-se um pouco para o que ainda não foi feito. Resista ao impulso de contá-lo. Dê tempo suficiente para que o corpo seja refeito da presença de outra pessoa qualquer e acomode-se no convívio consigo. 
Preze por qualidades e defeitos mais aceitáveis.

Sunday, June 12, 2011

Some Magic

Should I belive in some magic? Why some things happen to us in a different way from others? And we feel like something is happening to us? What kind of surprise could catch us like that! And we can't explain and think: “Ow, it looks like destiny! Amazing!!!” Or anothers fool phrases like these.

It could be because some people look like so especial. So diferent from anothers. And bring us to a tornado of feeling, emotions. What could I say is: “All is on your mind”. Things are like we think they are. If we have a different look for something is because we thought before it must be especial.

But it's nothing compared to what we feel when we trop and face this tornado. Everythin becames confuse and like having no sense. And in the other hand like all life has a significate. Like we was born to that. To live that moment which is so incredible.

At the same time, we accept all these news we also spend hours in a terrible doubt. Reflecting why we should believe in this magic? And just to be more difficult, we have to understand a segund time in magic? A new and different magic again? Excuse me. It's not exactly like that. The really question is: Shoul I believe in some new magic? Or believe that magic is a real thing a segund time?

You say me if it's possible find a segund time the only real import and different people when your found a first time? And how we could go on in life without believe it's possible. So, the logical is that your have to believe that magic includes discover another and second magic in life. New, although you're a new person too. And I make easier. I should believe, and so you, that magic happens again in life. I started.

Thursday, June 09, 2011

Real ou Ficção

Você já se perguntou se é real mesmo ou mera ficção? Já lhe ocorreu avaliar com olhos no espelho quantas frases diz num só dia que nem mesmo você acredita? O assunto me ocupa porque andam a me olhar como quem tem certezas. E para afinar de vez a percepção, resolvi elaborar um pequeno questionário que faria caso incubida da missão de identificar quem é e quem não é real. Para isso, bastam três questões:

1. Enganar a si mesmo quer dizer da falta de entendimento sobre os próprios sentimentos. Confusões do tipo: Estou completamente apaixonada mesmo sabendo que ele não é para mim. Pior ainda, não consigo definir o que sinto por ela ou por ele. Só sei que gosto da sua companhia e vou deixando de lado as dúvidas para estar ao seu lado. Tudo isso é de um desconhecimento completo. E não ajuda no quesito "ser alguém real".

2. Culpar pai ou mãe por tristes adventos. Dúvidas, incertezas, inseguranças, perdas. Tudo isso, para um ser humano confuso precisa de um culpado. Ou culpada. É pior quando se trata de ex-amores. A pessoa parece estar no último estágio da falta de compreensão de si mesmo e por isso precisa do amor, que está longe de ficar fora de controle, para adiar o gesto nobre de desculpar-se.Guardando um pouco de perdão para si mesmo.

3. Mentir. Já cruzamos a linha vermelha. Caímos no abismo. Daqui a distância a percorrer até o mundo real é bem maior. Não é apenas aquele primeiro estágio de uma confusão a cerca dos próprios sentidos e entendimentos. Da própria visão sobre o mundo. E sim uma negação completa do que pode ser a única tábua de salvação de um náufrago do real. Mentir sobre o que faz, se o que sente é maior que amizade e tem a ver com desejo, com quem mora, se está ou não se relacionando com alguém, se é ou não pai de alguma criança solta nesse mundo tão duro. Inventando nomes e compromissos cada vez que sente a pele arder numa máquina detectora. Nesse caso, é fato. Na real, meu caro amigo, você não passa de uma ficção de si mesmo. E o que é mais grave, não teve qualquer ciência ao criar seu personagem.


Vou num esforço de recolher palavras como pedras no caminho. Neste exato instante, o que tenho para oferecer é uma certeza. De quem sabe. Quem olha para mim e sabe. Adoro esse olhar. Mas ele está longe de me deixar tranquila. Quando olham para mim e sabem que eu sei, preciso lidar com isso como quem toca um instrumento. No palco e diante de uma plateia atenta. Não sei dizer mais do que disse. O muro de pedra sobre outra pedra e alguma argamassa é somente dessa altura aqui. Mas quando sei que sabem ao me olharem desse jeito, fico à procura de um que não seja o meu. Desconcertado e tímido. Embora, com tanta certeza.

Tuesday, May 31, 2011

Enlouquecendo Jandira


Num dia estava tão pensativa e acertiva. Dizia frases perfeitas como num sopro de eternidade. Como Bertolucci, em Beleza Roubada. No outro, estava tão desastrada - inclusive com palavras. Sua fala inteira era triste. Como tivesse sacado o parágrafo de um poço sem fundo de mágoas.

Isso ia enlouquecendo o menino lobo homem, que de tão polido foi dado a ser educador. Ao lado dele, ela não sabia mais pensar. Era tão espontânea que não media mais nada. Nem o falar. Seus pensamentos saíam como bichos soltos numa selva.

A pergunta que me faço agora é: se não tinha controle do que lhe saía pela boca, imagine o balé de corpo e as transpirações de Jandira!
Impressão


A frase grudou nela. Mudando seu modo de ler signos. A novidade ficou impregnada nela. Como um incômodo e irreconhecível gomo. O mundo agora era outro. Há frases assim. Qual a surpresa? Fixam e nunca mais conseguimos nos livrar delas. Pensamentos que nos mudam. Pela raiva ou angústia. Mesmo para quem é dado a reagir, tem frase que buzina. Tortura. Azucrina. Quem fixa e é dado a impressões na vida, se sente sem o direito à voz. Todo o entorno vai se transformando num caos sem fim. Atendo às nossas idéias que – como pedras – nos puxam para o abismo. E seguimos no absurdo. O que fazer, então, do futuro? Pular o muro.

Porque quando avós começaram a sair de suas casas, de madrugada, pra trabalhar até o dia ficar escuro - numa máquina de costura - tudo mudou. Minha mãe, aos nove anos, tecia florzinhas na ponta dos dedos até fazer calos. Bolhas inteiras a atormentar a sensibilidade e beleza de suas mãos. Esse tempo chegou e interferiu na próxima geração. O calo no dedo, a perda da aura da flor de tecido fixou como um fato real na insensibilidade. Faltou dor para reconhecer antes mesmo o momento de ferir. Restou nos curar. O que fazer então com a leveza de teclas de um computador? Com toda essa liberdade? O que nos motivou a chegar aqui? A linha da máquina e do tempo... Segui?

Juro que não quis dar um tom maior a essa impressão. A pergunta era sobre o futuro e sobre sua motivação. Quem sabe minha dúvida não se junta à sua? Quem sabe agora a frase não modifica o entorno e o modo deixa de ser alheio porque está também em tanta gente. Deve estar no lugar do meio. A resposta está sempre posta em brechas e brota. Porque existe a verdade das coisas. E ponderar sabendo da infinidade de pontos entre um e outro marco será sempre um recurso. Mas não se pode calar. Quando cedo um pensamento, transformo o mundo. E devo refazê-lo. Antes mesmo que solidifiquem a mentira por expor tão bem seus termos. Mesmo que tenha aprendido a suportar tão bem a dor.

Monday, May 23, 2011

Reflexo


O céu fechou-se em nuvens escuras. Melhor esperar pela chuva. Ver cair cada partícula em sua certeza de tocar o chão. A espera precisa. O salto sobre a poça d’água do homem em suspenso. Bresson é um intervalo de espaço no silêncio. O modo de manter-se noir.  Preto e branco num mundo tão colorido é um alento. Uma memória que socorre aura do não tempo. Daquela caixa que emitia luz e reflexos de nós mesmos. Porque vingança de chuva é molhar a terra.
Para o EnContos:



Fernando fechou a porta da casa. Ficou feliz por rever Renata. Conheceu-a num Reveillon. Na casa de praia em Parati de uma amiga da época da Escola. Estela era o nome dela. Estela tinha um irmão mais novo. O nome dele era Caio. Cabiam numa mão as qualidades de Caio: era o caçula, metido a capeta, cabra cabreiro, estilo caveirinha e cabeça dura feita cascalho. Caio caiu num buraco. Do buraco em que estava Caio pensava. Na época em que passava essas temporadas na casa da praia. Lembrou que nunca mais encontrara as melhores amigas da irmã Estela. Caio caiu de amores por uma delas. Do buraco onde estava, Caio caído de amores como há anos atrás lembrou dos cabelos dourados daquela amiga de Estela. Às vezes, a memória brincava de apagar o nome dela. Mas do buraco onde estava Caiu soltou alucinado, o apelo que lhe apertara por tantos anos o peito, qual um urso urrando, soltou o grito: Cadê Denise?
Pixotes e mortais

Pés e cabelos e roupas molhadas. Banhavam-se no rio. Doce das últimas lembranças. As melhores das que guardaram em memória. Impregnadas lembranças desses meninos cheias de germes em suas roupas e cabelos e pés e peles. Mergulhavam num braço d'água de esgoto e rio. Aos corpos franzinos deles, não faz mal.

Flexeiros, piruetas, saltos e mortais. Pixotes aos bocados aos pinotes no canal. Dinheiro nenhum para a condução. Também lhes falta pão e educação. Na volta pra casa querem morcegar nos ônibus dos homens e mulheres que lhes olham com delação. Condenação. Sem proteção. Os passageiros reprovam. Os motoristas impedem. Os cobradores relepem. É uma avenida de asfalto e água fluida onde possam arremessar o corpo num salto. Fatal impacto.

Pixotes aos pinotes em pés e cabelos e vestes encharcadas de germes e vermes. Rio Doce são as melhores lembranças que trarão na memória da história que construirão.


Visita inesperada

Revi seu rosto com tanta surpresa! Não havia mais aquela fragilidade de sempre. Era um rosto lunar e rubro em maçãs. A forma - que aqui chamamos de corpo - tinha outros contornos. Era maior. Aparentava um metro e oitenta. Não era mais franzina e miúda. Pequena e magra como conheci. Estava em vestes brancas e face rosada. Alta. Bem mais alta que qualquer humano que conviva. Estava acompanhada de dois guardiões. Quem entendi do assunto diz que é sempre assim. Que são guias e não ingressam nos mesmos ambientes. Masculinos no que compreendi. Roupas confortáveis e claras. Entrou no meu quarto, observando cada detalhe de sua simplicidade de cama, janela e roupas em sacolas e malas. Prontas para viagem. Elegante, austera. Ela me olhou com certa preocupação, de início. Curiosidade sobre um amuleto no banquinho que eu mesma fiz. Era do amante que tornava aquela noite menos vazia que as outras noites dos últimos meses. O amuleto que trazia em seu pescoço e eu mesma abri obedecendo o pedido mudo dele. Olhou com ar de aprovação. Sorriu e saiu.

Acordei no instante seguinte. Todos haviam ido. À exceção do amante que continuava ali. O que restou em mim foi uma sensação de calma. Boa companhia. Um certa tranquilidade por sempre reprimir movimentos assim. Logo mais à tarde, pude reler cartas antigas. Cartas que nunca mais havia tocado. Menos ainda com tamanha ternura. Sua imagem em companhia de seus guias não me sai da cabeça. Minha avó paterna está em plena harmonia. Ela que ousou ficar sozinha num tempo em que matrimônios não se desfaziam. Quem sabe também alguma paz será reservada a mim, que como ela, depois da benção em testemunhas, rompi. 

Ela inovou muito mais. Temperava a carne com hortelã. E seu último pedido à nora foi uma cerveja gelada. Quando todos os móveis foram levados pela cheia só falava feliz do moço bonito do corpo de bombeiros que a salvou e a trouxe para um lugar seguro, nos braços. Criava galinhas, comia ovo de capoeira e fazia uma delícia de sobremesa com grão de milho batido em pilão com açúcar e canela chamada "tabaco 60". Uma casa simples que dividia com o filho, que fora seminarista e formou-se em duas faculdades com quatro pós graduações. São muitas lembranças que trago. Ficaram maiores ainda com a visita inesperada.

Saturday, April 16, 2011

Reflexo em céu aberto


Reflexo na água da chuva. Do outro lado da rua, dois homens carregando o espelho onde reflito minha sombra. São sobras de mim. Do meu túmulo, falo. Não sei mais sentir. Não é apenas o medo. Habituei à dor. Penso na precisão de Henri Cartier Bresson. Aguardar pelo instante do ser suspenso. E conseguir um reflexo na água da chuva que lembra bicicleta e alma ao mesmo tempo.

É uma das reflexões mais frequentes. Se desaparecesse? Se a água da chuva derretesse as moléculas frágeis de açúcar? Esta é uma marca fixa dessa geração de múltiplas e interruptas ligações. Um frame a mais e tudo se desfaz. E mais... Serão sempre duas moléculas de hidrogênio para uma de oxigênio, pelo menos enquanto o amor for líquido. Uma para viver o instante. Outra para garantir que haverá mais. Haverão outros. Quem não compreende essas pausas fica assustado e se prende. Ou aprende a não ficar se sentindo acuado no canto da parede.

Sei sobre passes de mágica. Tive que aprender a linguagem do novo. O lúdico, fluido e múltiplo modo do amor. Ia viver essa existência sem compreender se minha estrutura rígida não tivesse rachado. Vira uma armadilha que você mesmo arma e lhe captura. Quis tentar entender ao máximo. Isso complica. Não quer dizer que não se refaça quem inventa outro horizonte que chegar a algum lugar. 




Como na canção dos Beatles. All we need is love. É assim, principalmente entre brasileiros. E brasileiras. Tudo o que queremos é o amor. Ou suas outras formas. Parece a única maneira de nos perdoar por morar no paraíso. Ganhar um solo em que se plantando tudo dá. Pena que não se distribui o pão e o chão. E crianças guardam seus sonhos em suas caixas de origem. Ser amado e ficar livre também pode ser um risco. A busca por alguma alegria e prazer precisa incluir o aprendizado da completude do ser.


Então, minha imagem brota da liberdade de estar suspensa. De experimentar os fenômenos da Natureza. Quanto mais grandiosa ela for. As duas feras ficam duelando. Solidão e liberdade. Culpa e vontade de amor. Coragem de olhar para frente às vezes por inventar estar descrente que o amor acontece novamente um dia. Sempre. O amor acontece sempre que alguma fenomenologia aparente se mistura a acasos. Frases que encaixam. Imagens e similitudes que cabem no coração e na mente. Isso que também pode ser chamado de força de uma alegria contente. E brota uma verdade de ir crescendo.


É preciso querer com o coração e disciplinar os momentos. Editá-los. Usar palavras gentis e gerenciar atos nos fatos que envolvem o sentimento. É para quem é solar. Não pode escurecer ou anoitecer. Fazer o relógio marcar apenas as horas do dia. Porque nisso vai incluido epifanias.  Como congelar um instante em fotografia.


Empenho no que sobrou desse tempo esforço danado em ser responsável pelo meu e pelo sentimento. Porque seduzir é mesmo uma compulsão, às vezes. Mais força demonstro ao resistir. Pelo menos é real. E não reflexo em céu aberto, por espelho da água da chuva onde encontro com precisão imagem de mim mesma que inventei. Como na fotografia citada que revela o inconsciente ótico do fotógrafo. Soube quando a psicanálise revelou o inconsciente pulsional e mostrou o que eu não via.

Tuesday, April 12, 2011

O texto mais acessado:  Instantes do livro A Felicidade, Ensaio sobre a Alegria, de Robert Misrahi. Sobre Misrahi, nascido em 1926, na França. Vasta obra dedicada ao estudo da Felicidade, especialista em Baruch Spinoza.

Resumo de estudos:

Aristóteles - filósofo grego, discípulo de Platão. Entre os grandes filósofos do mundo. Criou a terminologia da ciência e da filosofia, usadas até os dias atuais.

Obras: Política, Metafísica e Ética. significação existencial da ética

Frase: "A Felicidade consiste em fazer o bem". Aristóteles (384 - 322 a.C.)

"O questionamento mais original, mais concreto e mais vasto sobre os sentidos (orientação e significaçã) e conteúdos que queremos dar à nossa vida, à nossa existência é precisamente o que se chama de ética".

Por que se apresenta à reflexão essa interrogação ética sobre a ação e a existência?, pergunta Misrahi. Primeiro é a própria liberdade de ação que justifica a interrogação sobre os fins da ação ("futuro melhor").

"O que é concretamente almejado, através da idéia de uma vida melhor, é a experiência contínua de uma vida substancial" (Felicidade!)

"Essa experiência qualitativa implica ao mesmo tempo à densidade de um prazer espiritual e existencial e à transparência de uma consciência capaz de reflexão que se caracterize pela adesão à sua própria vida e às suas próprias escolhas." Misrahi.

A "experiência qualitativa" que é a da plenitude e do sentido, perderia toda sua 'substancialidade', toda sua espessura existencial e dinâmica se ela fosse apenas passageira (isso se chama Alegria). A Felicidade para merecer realmente esse nome, implica a duração e a permanência da experiência que a constituiu.

Essa experiência de ser não é a experiência mística de um ser transcendente que pudéssemos aprender na noite da inteligência e no êxtase da alma; ela não é a experiência do ser, mas sim a experiência de ser.

Para Mr. Autumn

Monday, April 11, 2011

Pré-postagem

Sinto uma paixão vindo. Como esse amor ocupa meus pensamentos, tudo tem agora  novo significado. É como se devolvesse valores perdidos. Uma paixão somente. Capaz de fazer tudo isso. Embora esteja desenhando em mim um laço. É diferente do real, ao mesmo tempo presente.  Tem data e nasceu na gentileza. Num aniversário. A partir deste dia, são todos teus, para mim.  Aniversários e diias do ano. De um jeito que eu:

Seria romântica e tola todas as horas do dia. Alimentaria o gosto por ter mais saúde! Cuidar da casa. do espírito. Como se minha alma, que conheci em ternura de infância, voltasse pra perto de mim. E enquanto não compreendo o que a afastou tanto de assim fazia perguntas sem nenhuma ordem ou sentido, como: Me dá um cigarro. Hoje não. Hoje são flores que trago.
É a pergunta quem dá início a tudo...

- Tia, me dá um trocado?
- Tá, mesmo não tendo "idade" para ser sua tia, eu troco com você! Tá aqui uma barra de "leite condensado caramelizado, com flocos crocante, e o delicioso chocolate que não preciso dizer o nome". É seu. Se puder me responder também a uma pergunta: Você sabe guardar um segredo?

Os olhos de um branco destacado na pele tão negra e de uma expressão ainda triste vão se abrindo mais... A cabeça balança afirmativa e a boca, enfim, morde o doce. A próxima pergunta, vinda da pequena, já é outra:

- Que horas são?
Textos mais acessados:

Abril... Solar!!!

Perdoo - me a péssima literatura que tenho produzido. Desculpo – me todas as asneiras que digo solta das amarras, pelo álcool. O mito está criado. A coisa tem nome e sobrenome. Eu encaixo como acorde sustenido. Por que ficar ao lado de outro? Por que, de princípio, existe um prazer, uma agradável sensação de calma e paz com a presença do outro e com o passar do tempo, ou dos episódios, não parece mais tão oportuno assim?


Bem estar! Nisso mora todo o segredo. Habita todo o mistério. Assim é de incontestável beleza. É preciso sentir, muito. Sentir de imediato para não ressentir depois. A coisa está no instante dos fatos. Não há o outro lado. O outro dia triste, o depois. Existe o instante vivo e luminoso. Sinais para que seja cumprido o desejo. Da vontade de ser pego. Nem precisa prova ou evidência, não é mais do que o que já foi dito.

Amor  puro, fresco, latente e de deixar lassa é uma mistura de uma química de décadas e de atitude! Genética: história impressa em retinas e códigos do genoma, impulsos domados pelo raciocínio rápido e pelo desejo. Como no balé da águia no céu azul e imenso. O prazer do vôo, a anatomia favorável, asas e olhar treinado. A exata e precisa calma de um caçador experiente que aprendeu a matar a fome, que precisa existir. Dor, fome, dúvida. Do outro lado: Prazer, Sabedoria e é. Amor se faz descrendo. Afirma - se na incerteza dos fatos.
No limite da configuração da dúvida. Prazer é uma parte incontestável do processo de consolidação do desejo, da configuração do amor. Existem os livros então, senão, tudo se perderia no espaço findo da matéria e do esquecimento, na limitação cômoda do humano que quando se forma ou sente um prazer cômodo, pára e interrompe o processo. Existe busca e troca. Porque se num ser é findo, no outro continua de outro modo. Memorável e infinito. Pelos códigos e pelo caminho do outro. É seguro. E há o orgulho, a blasfêmia, a arrogância, o cínico mérito posto que desfaz do futuro em divulgação do passado.

A coisa estará ali para sempre tanto quanto mais for dita e visitada. E é preciso muita dúvida, muito impulso de busca para continuar elaborando e estar em mais mistério de desmembramento alumbramento revelação do novo. É preciso uma falta, um defeito disso, formado assim, preparado para o que é posto para que se continue buscando em mistério e imagens e sentimentos confusos nos limites dos fatos a nova passagem e compor.
Ultrapassar sem tanta carga e, de fato, precavido não pode deixar do outro lado o justo sentimento, ou pensamento, ou lembrança que encaixa. Daqui, desse estreito caminho por onde passamos juntos agora está muito além e distante a palavra que motivou a busca, o nome da coisa, o sentimento mais semelhante encontrado entre as cordas do músculo e as medidas aceleradas do pulso, de pupilas que dilatam, sem recurso caro e de pó branco.
Amor assim vai virando um sólido bloco de valores culturais de coisa feita, comprada, erguida e polida pelos mais corajosos. Há aqueles que não movem uma filigrana sequer de si mesmos diante do lugar onde haveria susto ou incômodo, incompreensão. Onde haveria medo. Não. Não onde há a força sem nome da lembrança do instinto mais primitivo e leal ao bem estar de si mesmo. A cumplicidade com o outro gera tudo que a ciência já resolve e explica: boa genética. Mais cumplicidade. Um ser novo em harmonia. Consigo mesmo constrói melhor.

Assim há um e é possível então haver outro e então, por motivos e sentidos outros, existirem dois. Uma para uma em séculos de construção. E por que se fragmentam, então? Por que há a ruptura do que poderia estar ali e cada vez mais cheio e sólido e no caminho certo das descobertas elucidadas e incorporadas ao modo, jeito, gestos, trejeitos? Por que no ambiente da certeza vão se sucedendo desencontros e o não querer substitui o desejo inicial que movia a coisa?

O "it", Clarice! Por que no instante em que está mais afeito e adestrado o humano, a raiva e a intolerância e a dúvida racham e fatiam o que estava a pleno vigor de movimento aos saltos e cambalhotas e peripécias alegres de seres completos em seus rastros felizes de lembranças dormentes? Por que lágrimas estão sempre presentes no limite da dor? Água e sal produzidos pelo perfeito mecanismo de organismos vivos do imperfeito humano. Por que a pergunta se responde em vazios que a afirmação não preenche nem ocupa? De onde vêem e para onde vão os sinais e encontros falidos? Falhados?

Em que dose é possível suportar e assistir a busca, desacompanhado e fingindo de quem acaso se casou e dedicou ao outro o que é somente da pessoa. Eu caio novamente na corrente de uma literatura de mau gosto e superfície plana sem apreensão de sons ou fatos. Apenas mito, que sobrevive à custa dos desejos contidos e dos planos infantis guardados em mentes buliçosas e que se colocam no limite, ali pertinho do vale disposto a devorar o vazio, à exceção do que era seu. Há em forma a abundância do querer contido no colo e nas costas. Para as que são guiadas pela Lua e pelos que pressentem diuturnamente o sol em seus ombros frágeis. Fazendo deles cada vez mais largos. Costas, com melhores formas. Vão sendo inventadas pelo divino e conseqüente movimento de absolvição de informações valorosas e amalgamáveis pelos genomas tornados códigos genéticos ao longo de muitos e muitos anos.

Costas e pupilas. Está ali o segredo contido no coração deles. Costas e mãos e olhos. Em noites de histórias e músicas suaves sopradas aos ouvidos. Mexidos em algodão de um doce girar, mexendo na percepção fina de sentidos ativada num jeito de adivinhar. Entrar em contato com esse fluxo torna tão viva a hora do dia que o passar de um lado para o outro do globo fica suave com o olhar certo. Porque é preciso que continue quando o desejo é mais sereno e calmo. É necessário ir de um a outro como quem constrói a partir de metades, o primeiro passo. A verdade que é esse conceito relativo e múltiplo muitas vezes deixa ver o que um desejo maior calcula, imprime.
Maravilhoso ter você aqui. Muito grata!
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여기에 당신 가지고 좋아요. 정말 감사!
Čudovito, da ste tukaj. Zelo hvaležni!
Báječné, že ste tu. Veľmi vďačný!
Merveilleux de vous avoir ici. Très reconnaissante!